<T->
          Alegria de Saber
          Portugus -- 4 srie
          Ensino Fundamental
          
          Anina Fittipaldi
          Maria de Lourdes Russo
          Lucina Maria Marinho Passos

          Impresso em 3 partes na 
          diagramao de 28 linhas de 34 caracteres.
          
          Terceira Parte

          Ministrio da Educao
          Instituto Benjamin Constant
          Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
          22290-240 Rio de Janeiro 
          RJ -- Brasil
          Tel.: (21) 3478-4400
          Fax (21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~,
          -- 2007 --

<P>
          Copyright Anina Fittipaldi,
          Maria de Lourdes Russo e
          Lucina Maria Marinho Passos

          ISBN 85-262-5295-X

          Direo adjunta editorial:
          Aurelio Gonalves Filho
          Responsabilidade editorial:
          Suely Yukiko Mori Carvalho
          Roberta Lombardi Martins
          Edio:
          Rita Narciso Kawamata
          Ana Luiza Couto
          Assistncia editorial:
          Lidiane Vivaldini Olo

          Direitos desta edio cedidos  Editora Scipione Ltda.

          Av. Otaviano Alves de Lima, 4.400 -- 6 andar
          e andar intermedirio Ala B
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          Tel.: (11) 3990-1810
          ~,www.scipione.com.br~,


                                I
<R+>
<F->
Sumrio

Terceira Parte

Unidade 7

Terra, Planeta gua

Uma atividade diferente :::: 268
Vamos ler 1 ::::::::::::::: 272
"Estrelada", Milton 
  Nascimento e Mrcio 
  Borges
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Curiosidade :::::::::::::::: 275
Agora voc escreve ::::::::: 276
Avaliando o texto
Divertimento ::::::::::::::: 278
Ateno  fala e  
  escrita ::::::::::::::::::: 279
Roda de leitura :::::::::::: 282
Na ponta da lngua ::::::::: 286
Texto dialoga com texto :::: 288
Agora voc escreve ::::::::: 293
Avaliando o texto
Curiosidade :::::::::::::::: 293
Texto do dia-a-dia ::::::::: 295
Texto do dia-a-dia ::::::::: 298
Detalhe puxa detalhe ::::::: 299
Agora voc escreve ::::::::: 301
Avaliando o texto
Trabalhando a oralidade :::: 303
Uma atividade diferente :::: 305

Unidade 8

 Mistrios... suspense...
  fantasia...

Uma atividade diferente :::: 309
Vamos ler 1 ::::::::::::::: 310
"O mistrio das aranhas 
  verdes", Carlos Heitor 
  Cony e Anna Lee
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Ateno  fala e  
  escrita ::::::::::::::::::: 316
Na ponta da lngua ::::::::: 317
Detalhe puxa detalhe ::::::: 321
Agora voc escreve ::::::::: 322
Avaliando o texto
<p>
                            III
Roda de leitura :::::::::::: 323
Curiosidade :::::::::::::::: 326
Vamos ler 2 ::::::::::::::: 329
"A guia dos ovos de ouro", 
  Claude-Catherine 
  Ragachi e Marcel 
  Laverdet
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Detalhe puxa detalhe ::::::: 335
Texto dialoga com texto :::: 336
Agora voc escreve ::::::::: 339
Avaliando o texto
Trabalhando a oralidade :::: 340
Texto do dia-a-dia ::::::::: 343
Divertimento ::::::::::::::: 345
Vamos ler 3 ::::::::::::::: 347
"Mania de explicao", 
  Adriana Falco
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Detalhe puxa detalhe ::::::: 349
Uma atividade diferente :::: 351
<p>
Unidade 9

Transformaes

Uma atividade diferente :::: 353
Vamos ler 1 ::::::::::::::: 355
"Sfot poc", Luis Fernando 
  Verissimo
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Ateno  fala e  
  escrita ::::::::::::::::::: 362
Vamos ler 2 ::::::::::::::: 363
"Em boca fechada no entra 
  mosca", Ftima Miguez
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Texto dialoga com texto :::: 367
Detalhe puxa detalhe ::::::: 369
Vamos ler 3 ::::::::::::::: 371
"No conta pra ningum", 
  Fanny Abramovich
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Na ponta da lngua ::::::::: 375
<p>
                               V
Trabalhando a oralidade :::: 377
Divertimento ::::::::::::::: 380
Roda de leitura :::::::::::: 381
Agora voc escreve ::::::::: 385
Avaliando o texto
Texto do dia-a-dia ::::::::: 385
Vamos ler 4 ::::::::::::::: 387
"Ludi na Revolta da 
  Vacina -- Uma odissia no 
  Rio Antigo", Luciana
  Sandroni
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Agora voc escreve ::::::::: 393
Avaliando o texto
Curiosidade :::::::::::::::: 394
Uma atividade diferente :::: 398
<F+>
<R->
<p>
<176>
<Tale. saber 4 srie> 
<T+267>
Unidade 7

Terra, planeta gua

  Nesta unidade, voc vai ler e
trocar idias sobre nosso planeta --
a Terra -- e sobre a gua, tema
discutido em todo o mundo.
  Ser que estamos cuidando bem
dessa nossa casa?

<R+>
_`[{quatro fotos descritas por suas legendas_`]
 Foto 1 
  Legenda: Plantao de beterraba em
Biritiba Mirim, SP (2002).
 Foto 2
  Legenda: Queimada no 
  Pantanal, MT (2002).
 Foto 3
  Legenda: Garas na reserva natural do rio Carinhanha, em Minas Gerais (2001).
 Foto 4
  Legenda: Mancha de leo causada por vazamento. Bacia de Campos, Rio de Janeiro (2001).

<177>
Uma atividade diferente

 1 Observe a fotografia:

_`[{foto descrita por sua legenda_`]
  Legenda: Imagem da Terra, do Sol e da Lua vistos do espao.
<R->

  Converse com um colega: o que essa imagem representa para vocs?

<R+>
 2 Leia, agora, uma conversa muito interessante entre Hagar e seu
filho Hamlet:

_`[{tirinha: o "viking" Hagar e seu filho esto sentados  beira do mar, observando a natureza. Hamlet pergunta: "Quem fez as montanhas brilhantes?" 
  Hagar responde: "Deus". Os dois continuam a observar as montanhas, o mar, o sol se pondo 
<p>
  e Hamlet conclui: "Ele fez um belo trabalho, no ?"_`]

Dik Brown. *O melhor de Hagar, o Horrvel*. Porto Alegre: 
  L & PM, 1996.
<R->

  Voc concorda com a concluso de Hagar e Hamlet?

<178>
  A Terra , tambm, tema de muitas canes...

<R+>
 Ora bolas

 Oi oi oi
 Olha aquela bola
 A bola bem no p
 No p do menino
 Quem  esse menino?
 Esse menino  meu vizinho
 Onde ele mora?
 Mora l naquela casa
 Onde est a casa?
 A casa t na rua
 Onde est a rua?
<p> 
 
 T dentro da cidade
 Onde est a cidade?

 T do lado da floresta
 Onde est a floresta?
 A floresta  no Brasil
 Onde est o Brasil?

 T na Amrica do Sul
 No continente americano
 Cercado de oceano
 E das terras mais distantes
 De todo o planeta

 E como que  o planeta?
 O planeta  uma bola
 Que rebola l no cu

Paulo Tatit e Edith Derdyck.
*Canes de brincar*. CD.
So Paulo: Velas, 1996.
(Coleo Palavra
cantada).

<179>
4 E voc, como se localiza em um mundo to grande?
  A exemplo de outros
planetas, a Terra no 
uma esfera perfeita. Na
regio do equador, ela tem
um dimetro de 12.756 km.
De plo a plo, o dimetro
 de 12.713 km.
  Uma volta ao redor da
Terra tem 39 840 km.
Num ritmo de *jogging* (a
9,5 km/h), uma pessoa
levaria 175 dias --
correndo sem parar --
para dar a volta ao
mundo pela linha do
equador.

Marcelo Duarte. *O guia dos curiosos*.
So Paulo: Cia. das Letras, 2003.

  Responda rapidinho: em que...
 a) rua fica sua casa?
 b) bairro fica sua casa?
 c) cidade fica seu bairro?
 d) estado fica sua cidade?
 e) pas fica seu estado?
<R->

<180>
<p>
Vamos ler 1

  Menina, rainha, me? O que  a Terra para voc?
  Milton Nascimento e Mrcio Borges vo contar, agora, como  a Terra
deles...

Estrelada

 s menina do astro Sol
 s rainha do mundo mar
 Teu luzeiro me faz cantar
 Terra, Terra s to estrelada.

 O teu manto azul comanda
 Respirar toda criao
 E depois que a chuva molha
 Arco-ris vem coroar.

 A floresta  teu vestido
 E as nuvens, o teu colar
 s to linda, -- minha Terra
 Consagrada em teu girar.

<181>
 Navegante das solides
 No espao a nos levar
<p>
 Nave-me e o nosso lar
 Terra, Terra s to delicada.

 Os teus homens no tm juzo
 Esqueceram to grande amor
 Ofereces os teus tesouros
 Mas ningum d o teu valor.

 Terra, Terra eu sou teu filho
 Como as plantas e os animais
 S ao teu cho eu me entrego
 Com amor, firmo tua paz.

<R+>
Milton Nascimento e Mrcio Borges. Estrelada. In: 
  *ngelus*. CD. Rio de 
  Janeiro: Warner Music, 1993.
<R->

<182>
<R+>
Seguindo as pistas do texto

 1. Que palavra do poema justifica o ttulo da cano?

 2. No texto, os pronomes possessivos -- teu/teus -- so repetidos vrias vezes.
 a) A que pessoa do discurso se referem esses pronomes?
 b) A quem se dirige a voz que fala no poema?

 3. A que imagem da natureza se compara o teu manto azul?

Discutindo as idias do texto

 1. A letra da msica utiliza como recurso a personificao, ou seja, atribui
qualidades ou caractersticas humanas a seres no humanos.
  Que versos confirmam a personificao da Terra?
 2. Quais so os grandes tesouros que a Terra oferece a seus filhos?

 3. Na maioria das estrofes da cano h um tom de exaltao  Terra.
 a) Que estrofe se ope a essa afirmao?
 b) Que tom voc percebe na linguagem dessa estrofe?
<p>
 c) Qual seria o motivo dessa mudana de sentimento?
<R->

<183>
Curiosidade

Todos a bordo

  Depois dos foguetes, foram inventadas outras embarcaes
espaciais. Umas muito desconfortveis, como o mdulo Vostok
que levou o primeiro homem ao espao, o sovitico Yuri Gagarin
(1934-1968), em 1961. Era to pequenino, que Gagarin ficou todo
espremido l dentro. Mas o que ele viu l de cima j valeu o
esforo. Durante cerca de uma hora e meia, a aproximadamente
300 quilmetros de distncia, Gagarin viu o que homem nenhum
havia visto na histria da humanidade.
  Aqui de baixo a gente v tudo preto. Mas l de cima, o que se
v  uma imensido incrvel. A viso que se tem da Terra tambm
 formidvel. D para ver pedaos de terra e de mar. At as
pirmides do Egito e a Muralha da China! Voc j pensou como
seria ver nosso planeta do espao? De camarote, Yuri viu o nosso
planetinha de longe e disse: A Terra  azul!.

<R+>
~,http:www.canalkids.com.br~
  tecnologiatransporte~
  onibus.htm~, Acesso: 26 out. 2004.

 1. Saiba mais acerca do primeiro homem no espao. Faa uma pesquisa
sobre Yuri Gagarin. Depois, troque informaes com seus colegas.
  Ser que algum de vocs conseguiu uma informao diferente?

<184>
Agora voc escreve

 1. Observe as imagens:

_`[{duas fotos do rio Tiet, em pocas diferentes.
 Foto 1: o rio apresenta-se limpo com suas guas claras correndo entre as pedras_`]
  Legenda: Nascente do rio 
  Tiet, em Salespolis, SP (1989).

_`[{foto 2: o rio encontra-se completamente poludo, formando uma espuma densa e suja_`]
  Legenda: Espuma decorrente da poluio. Rio Tiet, em 
  Pirapora do Bom Jesus, SP (2001).

 2. Escolha uma das fotografias e escreva um relatrio
para um cientista famoso descrevendo o que voc v. Faa comentrios
e d sugestes: o que o cientista poderia pesquisar sobre esse ambiente?
<R->

Avaliando o texto

  Troque seu trabalho com o colega e responda:
<R+>
 1. O relatrio realmente descreve uma das fotos?
 2. H comentrios sobre a foto?
 3. Foram apresentadas sugestes de pesquisa para o cientista?
 4. A linguagem utilizada no relatrio  informativa?
 5. As idias do texto esto bem organizadas e escritas com clareza?
 6. As palavras foram escritas de acordo com as normas ortogrficas?
<R->

<185>
Divertimento

Planeta Terra ou Planeta gua?

  Se pudssemos olhar a Terra de cima, veramos uma grande
esfera azul:  porque o mar toma conta de quase todo o planeta.
  Os oceanos compem cerca de 70% da superfcie da Terra, e os
continentes ocupam o restante. 
<p>
Ou seja: quase #;c do planeta so
cobertos de gua.

<R+>
~,http:www.canalkids.com.brmeioambiente~
  planetaemperigoplaneta.htm~,. Acesso: 26 out. 2004.
<R->

  Represente, com a orientao do seu professor, a informao
dada no texto acima sobre a superfcie da Terra.

<186>
Ateno  fala e  escrita

  Releia o trecho:
  Se pudssemos olhar a Terra de cima, veramos uma grande esfera
azul:  *porque* o mar toma conta de quase todo o planeta.

<R+>
 1. Que idia a palavra destacada expressa?
 2. Transforme a orao
porque o mar toma conta de quase todo o planeta
em uma pergunta. Que alteraes devem ser feitas?

 3. Leia os trechos a seguir em voz alta e preste ateno aos porqus.
 a) Anos depois, os homens inventaram um
outro tipo de lira que vocs, pequenos
amigos, j devem ter visto em algum lugar.
No lugar do casco da tartaruga puseram uma
barra torcida em forma de U e nela esticaram
as cordas. No sei muito bem por qu, mas
as imagens de anjinhos que os homens
comearam a pintar sempre os mostravam
sentados em nuvens tocando minha lira.
 b) Por que o tempo da alegria passa to rpido e o tempo do tdio
to lento?
  Controlo muitas camadas de tempo. Tenho inmeros segredos.
  s vezes, vocs, humanos, tentam me acorrentar a relgios, dias,
meses e anos. Afirmam que 
<p>
  o tempo tem uma lgica e falam da
cronologia da vida.

Heloisa Prieto. Hermes. 
  *Divinas aventuras* -- 
  histrias da mitologia grega.
So Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001.

<187>
 c) (...) Posso ser qualquer coisa, estar
em qualquer lugar, posso fazer
tudo o que quero, e, francamente,
no vejo o porqu de estar aqui,
nesse momento, perdendo meu
tempo com algum que no 
bem-aceita em todos os lugares. O
que voc quer de mim, afinal?,
disse a mentira com uma voz
ligeiramente esganiada.
 d) Lucinha era uma menina muito medrosa. Diziam que era meio
piradinha, porque ela jurava que via drago. Mas drago no
existe, impacientavam-se as pessoas. Existe sim, eu vejo,
<p>
  respondia a menina, se escondendo debaixo da cama.

Dila Frate. *Histrias para acordar*. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 1999.
<R->

  Pelas frases acima, voc consegue deduzir uma explicao para tantos
*porqus*?
 porqu -- porque -- por que -- 
  por qu

<188>
Roda de leitura

  Veja agora como o povo indgena Kaingang explica a formao das
cataratas do Iguau.

Um impossvel amor: as cataratas 
  do Iguau

  H uma luta sem trgua entre o Bem e o Mal na natureza, na
histria da tribo e na vida de cada Kaingang. Cada lado contabiliza
vitrias e derrotas, sem nunca conseguir assegurar a vitria definitiva
de um sobre o outro. Mas os pajs Kaingang inventaram um
estratagema para garantir a ltima palavra ao Bem, sem suprimir
totalmente o Mal. Ei-lo:
  A cada primavera, oferecem em casamento ao Mal a mais bela
jovem da tribo. Ela no pode olhar para ningum, nem deixar seu
corao ser conquistado por algum pretendente. Assim, o Mal,
satisfeito, modera sua maldade, enviando menos doenas s pessoas,
menos tempestades s aldeias (...).
  Num certo ano, a sorte caiu sobre Naipi, filha do grande cacique.
Ela era especialmente bonita e cobiada pelos mais elegantes
guerreiros. Mas sabendo-se comprometida com o Mal, em benefcio
de todos se comportava com a maior discrio e indiferena. (...)
  Muitos convidados foram chegando e ajudavam na preparao
dos alimentos (...). Entre eles se encontrava Tarob,
valente guerreiro, de corpo esbelto, de rosto
afvel e de maneiras elegantes. Sobressaa
tanto dos outros que chamou a ateno
de Naipi. (...)
  Enquanto todos se atarefavam com
os preparativos do casamento, eles
secretamente se encontravam na
margem do rio Iguau. (...) Por fim,
elaboraram um plano de fuga para
poderem viver o seu grande amor. Tarob
arranjaria uma canoa veloz. Na vspera da
grande festa, quando todos, certamente, j
dormiriam de cansao, fugiriam discretamente.
<189>
  Mas o Mal, com seu grande poder,
acompanhava e escutava tudo sem ser
notado (...) Esperou que os dois
comeassem a fuga pelo rio. E
quando j estavam longe, felizes
em sua canoa, porque tudo
correra como haviam planejado,
ouviram, subitamente, um grande
sibilar no cu. Viram o Mal, em
forma de uma imensa serpente,
retorcendo-se no espao e se
lanando com toda fora no meio do
rio. O impacto foi to grande que abriu
uma enorme cratera no fundo do rio. As
guas todas se precipitaram no buraco,
carregando a frgil canoa. Formavam-se assim
as cataratas do rio Iguau, fruto da fria do mal.
  O Mal, para completar sua vingana, transformou Tarob numa
palmeira no alto das quedas e Naipi numa pedra no fundo das guas,
na mesma direo de Tarob. (...)
  Um detalhe porm escapou  fria vingativa do Mal: o arco-ris,
smbolo principal do Bem. De tempos em tempos, depois das grandes
chuvas, forma-se, surpreendentemente, um arco-ris que une a
palmeira com a pedra. (...)
  Pessoas especiais, amigas da natureza -- os filhos e as filhas do
arco-ris --, contam que se pode notar, ento, uma aura de luz
devolvendo, por um momento, a forma humana a Tarob, que virara
palmeira, e a Naipi, que fora transformada em pedra. Eles, por um
curto instante que vale uma eternidade, se transformam em gente.
Ouvem-se, ento, sussurros e juras de amor sem fim.
  E dizem que, ao desfazer-se lentamente o arco-ris, escutam-se
lamrias tristes como quem se despede com o corao partido, mas
cheio de esperana, ansiando pelo prximo arco-ris.  Tarob que volta a ser palmeira e  Naipi que vira, de novo, pedra dentro da gua. (...)

<R+>
Leonardo Boff. *O casamento entre o cu e a Terra* -- contos dos povos indgenas do Brasil.
Rio de Janeiro: Salamandra, 2001.
~,www.leonardoboff.com~,
<R->

<190>
Na ponta da lngua

  O conto comea com a frase:
  H uma luta sem trgua entre o Bem e o Mal na natureza, na
histria da tribo e na vida de cada Kaingang.
  Observe algumas alteraes possveis:

  Existe uma luta sem trgua entre o Bem e o Mal na natureza,
na histria da tribo e na vida de cada Kaingang.
  H muitas lutas sem trgua entre o Bem e o Mal na natureza,
na histria da tribo e na vida de cada Kaingang.
  Existem muitas lutas sem trgua entre o Bem e o Mal na
natureza, na histria da tribo e na vida de cada Kaingang.

<R+>
 a) Nas frases acima, os verbos *haver* e *existir* tm o mesmo sentido?
 b) Por que o verbo *haver* se mantm no singular e o verbo *existir* 
flexionado no plural? Converse com o professor.
<R->

<191>
<p>
Texto dialoga com texto

  A gua  um recurso natural indispensvel  vida dos homens, dos
animais e das plantas.
  Como a gua circula na natureza?  possvel demonstrar isso?
  Veja o que dizem alguns textos em relao a isso...

<R+>
 A --
 Planeta gua

 gua que nasce da fonte serena do mundo
 e que abre um profundo groto
 gua que faz inocente riacho
 e desgua na corrente do ribeiro
 guas escuras dos rios
 que levam a fertilidade ao serto
 guas que banham aldeias
 e matam a sede da populao
 guas que caem das pedras
 nos vus das cascatas, ronco de trovo
 e depois dormem tranqilas
 no leito dos lagos
 no leito dos lagos
 gua dos igaraps
 onde Iara, a me-d'gua,  misteriosa cano
 gua que o sol evapora pro cu vai embora
 virar nuvem de algodo
 Gotas de gua da chuva
 alegre arco-ris sobre a plantao
 Gotas de gua da chuva
 to tristes so lgrimas na inundao
 guas que movem moinhos
 so as mesmas guas que encharcam o cho
 e sempre voltam humildes pro fundo da terra
 pro fundo da terra
 Terra, planeta gua

Guilherme Arantes. *Planeta gua*. Fita WEA.
Projeto Fanzine MC7679240.
<R->

<192>
<p>
 B --
 A gua, um bero para a vida

Um planeta privilegiado

  Se a vida pde nascer e se desenvolver em nosso planeta, 
porque ele estava em posio privilegiada no sistema solar. Se a
Terra estivesse muito afastada do Sol, a gua ficaria congelada. Se
o planeta estivesse muito prximo do Sol, ela continuaria em
estado de vapor. Nos dois casos, a vida na Terra seria impossvel.
(...)
  Para conter toda a gua do globo, seria necessrio um cubo
de mais de mil quilmetros de lado! Ao mesmo tempo,  muito
pouco em relao ao volume da Terra. Se nosso planeta fosse
uma laranja, a gua ficaria contida em uma simples gota.
A gua da Terra  composta principalmente de gua salgada.
Trata-se,  claro, da gua dos mares e dos oceanos, que contm,
em mdia, 40 gramas de sal por litro. A gua doce representa
apenas uma mnima parte (3%) do volume de gua do globo, mas
se encontra sob diferentes formas. (...)

<R+>
*O pintor de aquarela*. A gua em todos os seus estados. Trad. Irami B. Silva.
So Paulo: Scipione, 2002. (Radar 64).

<193>
 1. Os dois textos falam sobre a gua, mas de maneiras diferentes. Explique
essa diferena.
 2. Procure, no dicionrio, o significado das seguintes palavras:
  serenar -- igarap -- groto -- evaporar -- fertilidade -- 
  moinho --
aldeia -- inundao -- privilegiado -- volume
<p>
 3. Em algumas passagens do texto, Guilherme Arantes atribui  gua
caractersticas prprias dos seres humanos.
 a) Indique trechos em que isso ocorre.
 b) Que efeito o autor consegue com esse recurso?

 4. Que trecho da cano mostra:
 a) a origem da chuva;
 b) uma personagem do folclore brasileiro.

 5. Por que Guilherme Arantes chama a
Terra de Planeta gua?
 6. Onde essa idia est explcita no
texto B?
 7. A gua, em suas diferentes formas, da
qual Guilherme 
  Arantes fala
corresponde a que porcentagem da
superfcie terrestre? Explique.
 8. Como cada texto expressa
preocupao com relao  gua?
<R->

<194>
<p>
Agora voc escreve

  Na cano, Guilherme Arantes explica o ciclo da gua na natureza de
uma forma potica.
  Agora, voc vai dar a mesma explicao, s que por meio de um texto
informativo. No se esquea de ilustrar seu texto, mostrando o percurso
da gua.

Avaliando o texto

  Com o professor, avalie:
<R+>
 1. O texto  informativo?
 2. H uma seqncia de idias encadeadas que mostram todo o ciclo da
gua?
 3. Voc deu ttulo ao texto?
 4. O texto foi dividido em pargrafos?
<R->

<195>
Curiosidade

  Voc j leu muitos textos sobre a gua neste captulo, e ainda vai
ler mais. E j sabe responder a muitas perguntas sobre a gua... Agora 
hora de fazer perguntas! As respostas j esto a...
  Escreva as perguntas. Se tiver dvidas, pea ajuda ao
professor.
<R+>
 1. A gua existe, na natureza, sob trs formas: lquida, slida (gelo) ou
gasosa (vapor d'gua).
 2.  o tipo de gua adequado para consumo humano, sem
microrganismos nocivos.
 3. No mundo, seis milhes de crianas por ano morrem ao beber
gua imprpria.
 4. Nosso corpo  composto de 66% de gua.
 5.  uma doena causada por uma bactria que provoca diarria. 
transmitida pela gua ou por alimentos contaminados por fezes e
vmito de pessoas doentes.
 6. Porque  um animal que pode engolir 120 litros de gua em
algumas horas e ficar mais de um ms sem beber.
<R->

<196>
<p>
Texto do dia-a-dia

  Se quase dois teros da superfcie terrestre so cobertos por gua,
pode-se pensar que podemos gastar gua sem nos preocuparmos com o
futuro, certo? Errado. Entenda o porqu lendo o texto a seguir.

A era da falta d'gua

<R+>
Uma previso catastrfica marca o colapso da gua no mundo para
o ano de 2025. (...)
 Foi dada a largada para a corrida e busca de solues.
 Veja o que se pode fazer para no entrarmos pelo cano.
<R->

  (...) O velho pesadelo dos ambientalistas
de que as reservas mundiais de gua
doce vo entrar em colapso em
algum momento do sculo XXI
nunca esteve to prximo de virar
realidade. Um estudo das Naes
Unidas divulgado este ano prev
que 2,7 bilhes de seres humanos --
45% da populao mundial -- vo
ficar sem gua no ano de 2025. O
problema j afeta 1 bilho de
indivduos, principalmente no
Oriente Mdio e norte da frica. Daqui
a 25 anos, ndia, China e frica do Sul
devero entrar na estatstica. Nesses
lugares, as reservas devero se esgotar
completamente, alerta o autor do estudo, o gelogo
Igor Shiklomanov, do Instituto Hidrolgico Estatal de So
Petersburgo, Rssia.
  O precrio abastecimento d'gua desses lugares vai falir, por vrios
motivos. Nos ltimos cinqenta anos, a populao mundial triplicou
e o consumo de gua aumentou seis vezes, sintetiza o eclogo
paulista Jos Galizia 
<p>
Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia.

<R+>
Cludio ngelo, Mariana Mello e Maria Fernanda Vomero. *Superinteressante*.
So 
  Paulo: Abril, ano 14, n.o 7, jul. 2000.

<197>
 1. Um estudo das Naes Unidas divulgado este ano (...)
  Em que ano foi divulgada a pesquisa? Justifique sua resposta.
 2. Que informaes da reportagem confirmam a previso catastrfica do
colapso da gua no mundo no ano de 2025?
 3. Essas informaes so confiveis? Justifique.
 4. Por que foram entrevistados um gelogo e um eclogo?
 5. Por que est sendo previsto um colapso das reservas mundiais de gua
doce?
 6. O que significa a expresso entrar pelo cano, usada na abertura da
reportagem?
 7. Em sua opinio, quais so as possveis conseqncias desse colapso?
 8. A reportagem apenas informa um fato ou convoca a sociedade para agir?
<R->

<198>
Texto do dia-a-dia

  A informao  uma aliada importante na luta pela preservao da
natureza.
  Leia o anncio:

<R+>
_`[{ilustrao: representao de um labirinto (jogo infantil) em que dever ser descoberto o caminho desde o vaso sanitrio
e a pia at o esgoto; da gua da chuva at o bueiro e do lixo at a lixeira. Abaixo do jogo, h um rio de guas limpas com peixinhos, e flores nas margens. Mais abaixo, as logomarcas das instituies Bahia Azul e 
<p>
  Governo da Bahia. Slogan: "Jogue limpo com o meio ambiente"_`]

*Cincia Hoje das Crianas*, ano 8, n.o 55.

<199>
 1. A que pblico o anncio  dirigido?
 2. Que tipo de recurso foi utilizado para atrair a ateno desse pblico?
 3. Que idia  sugerida pela ilustrao utilizada no anncio?
 4. Qual  a inteno do anncio?
 5. O anncio foi feito por duas instituies. Quais so elas?
 6. Qual  o *slogan* da campanha? Voc consegue explicar seu significado?
  Converse com o professor.
<R->

<200>
Detalhe puxa detalhe

  Observe o quadro abaixo e avalie: voc e sua famlia esto
desperdiando ou economizando gua?

<R+>
_`[{quadro em duas colunas, contendo os seguintes dados: aes _l gasto de gua _l (em litros)_`]
 escovar os dentes _l 12
 puxar a descarga _l 20
 mquina de lavar roupa _l 120
 aguar o jardim por 10 minutos _l 190
 banho de banheira _l 200
 banho de chuveiro (15 minutos) _l 240
 vazamento na descarga (por dia!) _l 300
 fabricao de um carro _l 450.000

*O pintor de aquarela*. A gua em todos os seus estados. Trad. Irami B. Silva.
So Paulo: Scipione, 2002. (Radar 64). (Texto adaptado.)
<R->

  Depois de conversar com sua famlia, traga o resultado para a classe.
Criem estratgias para economizar gua. O professor vai escrever todas as
sugestes no quadro-de-giz. Voc e seus colegas vo escolher as melhores
e preparar um cartaz com elas, para colocar no mural da escola.
  Copiem tambm as recomendaes, em uma folha de papel, para levar
para casa. Assim, todos vo saber o que fazer para no desperdiar gua.

<201>
Agora voc escreve

  Poluir. (..) 1. Sujar, corromper, tornando prejudicial  sade. (...)

<R+>
*Dicionrio Aurlio Eletrnico Sculo* XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, nov. 1999.
<R->

  A poluio  um problema to srio que se instituiu o dia 14 de
agosto como o Dia do Combate  Poluio.
  Procure, em livros, revistas, jornais e sites, informaes sobre a poluio
das guas. Em que isso pode afetar voc?
  Redija um relatrio com o resultado de sua pesquisa e apresente para
a classe. Depois, monte, com seus colegas, uma exposio dos trabalhos no
ptio da escola. Quanto mais informaes forem veiculadas, mais pessoas
sabero como fazer para combater a poluio. Faa sua parte!

Avaliando o texto

  O professor vai avaliar o relatrio:
<R+>
 1. A linguagem  informativa?
 2. H grficos?
 3. Foram apresentadas sugestes para evitar a poluio das guas?
 4. As idias esto bem organizadas e escritas com clareza?
 5. As palavras foram escritas de acordo com as normas ortogrficas?

<202>
<p>
Trabalhando a oralidade

Ratinho: rap do reciclar

 Uma cesta  muito bom,
 quatro cestas  melhor.
 Uma lata quando fica
 toda torta, velha, amassada,
 t pedindo...

 -- Ah! Eu quero a minha cesta,
 quero voltar pr minha cesta,
 me joga l, vai!
 Ah, ah, nasci de novo!

 Cesto fantstico,
 vire cartola.
 Faa o plstico
 virar bola. ()

 Num papel eu desenhei.
 eu olhei e no gostei.
 Mandei pra cesta
 o meu papel
 Hum...
 sabe o que aconteceu?
<p>
 Ele rodou, virou, dobrou,
 dobrou e foi pro cu. (...)

 De repente surgiu
 uma cara de palhao,
 teve gente que aplaudiu
 eu vi garrafa no espao...

 O palhao abriu a boca
 mastigou, mastigou,
 mastigou e cuspiu,
 tim, tim, tim, tim,
 trs copos cantando em trio.

 Cantando o qu?
 Cantando
 o rap do Re,
 o rap do Ci,
 o rap do Clar.

 Lata, plstico, papel e vidro,
 Vo reciclar,  pra acabar.

 Vou repetir mais uma vez,
 voc limpa bem o seu ouvido:
 lata, plstico, papel e vidro
<p>
 cada um tem uma cesta especial.
 T bom, no falo mais, tchau!

Hlio Ziskind. *Meu p, meu querido p*. CD. Velas, 1997.
<R->

  O *rap* mistura ritmo e poesia, fazendo uma msica urbana, de
melodia simples, quase falada.

  A gua  fundamental para a vida! Ento, divulgue sua importncia!
  Organize com seus colegas uma apresentao de rap. As letras das canes
podem ser criadas previamente ou na hora da apresentao: o importante 
que falem sobre a importncia da gua e que todos os alunos participem!

<203>
Uma atividade diferente

  Um menino que mora num planeta azul escreve uma carta para
algum que mora em outra galxia, falando do que est acontecendo em
seu planeta. E ele recebe uma resposta. Leia:

<R+>
 Habitante de outra galxia
 aceita corresponder-se com o 
  menino
 do planeta azul.
 O mundo desse habitante  todo
 feito de vento e cheira a jasmim.
 No h fome nem h guerra
 E, nas tardes perfumadas,
 as pessoas passeiam de mos dadas
 e costumam rir  toa.
 Nessa galxia ningum faz a 
  morte,
 ela acontece naturalmente,
 como o sono depois da festa.
 Os habitantes no mentem
 e por isso os seus olhos
 brilham como riachos.
 O habitante da outra galxia
 aceita trocar selos e figurinhas
 e pede ao menino
 que encha os bolsos de esperana,
 e no s os bolsos, mas tambm as mos
 e os cabelos, a voz, o corao,
 que a doena do planeta azul
 ainda tem soluo.

Roseana Murray. *Classificados poticos*. Belo Horizonte: Miguilim, 2004.
<R->

<204>
  O que voc achou da resposta recebida pelo menino do planeta azul?
Voc gostaria de viver nessa outra galxia narrada na carta?

<R+>
 1 Escreva uma carta para um colega de classe falando sobre a
galxia em que gostaria de morar. Descreva-a em detalhes, para que
seu colega possa imaginar como seria esse lugar.
  Depois, entregue a carta (e receba a sua) e veja o que seu colega
escreveu de bom para lhe mostrar!
 2 Agora, escreva uma carta para alguma autoridade (de seu
municpio, estado ou mesmo do pas) contando o que aprendeu
sobre a Terra. Exponha suas idias para ajudar na preservao do
planeta. Pode ser que sua sugesto se transforme em uma soluo!
<R->

               oooooooooooo
<205>
<p>
Unidade 8

Mistrios... Suspense... 
  Fantasia...

  Nesta unidade, voc vai ler textos de
suspense, contos fantsticos, textos que vo
surpreend-lo!
  Voc gosta de suspense? Tem medo do
fantstico?

<206>
Uma atividade diferente

<207>
  Junte-se a um colega. Analisem nas trs vezes; cada vez fazendo um tipo
de verificao:
<R+>
  na primeira observao, vocs vo listar o que vem;
  na segunda, descrever como o desenhista disps os desenhos na cena;
  na terceira, vocs vo interpretar as cenas, encadeando-as.
<R->
  Suas interpretaes tm que apresentar lgica entre a combinao e a
representao dos desenhos.
  Agora, apresentem suas interpretaes para a classe. Houve alguma
coincidncia entre suas interpretaes e a de seus colegas?

<208>
Vamos ler 1

  Voc j leu um livro de suspense, com muitos mistrios a resolver?

O mistrio das aranhas verdes

  -- Aranhas verdes! -- gritou ela.
  O homem riu.
  -- Sim, duas aranhas verdes... so de mau gosto, no h
dvida. Mas essas duas esmeraldas, que formam o
corpo da aranha, so as maiores do mundo e
agora me pertencem. Durante muitos
sculos, pertenceram  coroa da Casa
Imperial da ustria, mas foram roubadas.
A polcia da Europa andou atrs delas, at
que um joalheiro de Anturpia resolveu
fazer esse disfarce: acrescentou as patas
de platina e nelas incrustou pequenos
diamantes, colocou dois rubis como
olhos, enfim, mutilou superficialmente as
duas maiores esmeraldas do mundo... Poucas
pessoas sabiam desse disfarce. Alm do mais, elas
no podiam sair da Holanda sem mais nem menos...
Sabe como vieram parar nas minhas mos?
  -- Dentro da perna de Flavinho -- respondeu prontamente Carol.
  -- Voc  uma garota esperta, Carolina. Esta foi a ltima fase da
operao. O joalheiro holands comprou um cachorro dinamarqus,
chamou o veterinrio e colocou as duas pedras dentro da carne do
animal, na regio da coxa...
  -- Que maldade!
  -- O animal no sofreu nada. Tomou muito sedativo... viajou numa
embalagem especial... e aqui foi operado imediatamente pelo...
  -- Dr. Araripe...
  -- Sim, pelo meu irmo. Ele tirou as pedras da carne do animal.
Estavam envoltas num pequeno saco plstico. Por falta de sorte, o
animal morreu. No fundo, tenho a impresso que o meu irmo deixou
que o co morresse  toa...
<209>
  -- Bem, estou compreendendo quase tudo. Com
as esmeraldas na mo, por que o Dr. Araripe no
veio trazer as pedras pessoalmente?
  -- Menina, eu sou um homem marcado pela
polcia de todo o mundo. Ningum pode se
aproximar de mim. Para que as pedras chegassem
ao meu bolso, ele teve de esperar uma
oportunidade, um portador de confiana... (...) Foi
ento que recebi um recado dele: um menino assim
assim, morador da rua tal, etc., estava com a perna
engessada, dentro da gaze iam as duas pedras. S
eu e ele sabamos disso. Mandei apanhar o seu
irmo. No o maltratei, levei-o para uma casa da
nossa rede e l eu mesmo fiz a operao. Rasguei a
gaze, tirei as pedras e voltei a fazer o curativo. A
propsito, tambm sou formado em Medicina...
Deixei a profisso h muitos anos... pelo amor s
jias...
  Carol no sabia se ficava chocada com aquelas
revelaes, ou se aplaudia em p, como num teatro,
aquela histria toda. Por pouco ela conseguia saber
de tudo pelos prprios meios, sem a ajuda de
ningum. Suspeitara das marcas das aranhas na
perna do irmo... Enfim, desde o incio estava na
pista certa.
  O homem de branco pareceu adivinhar os
pensamentos dela e acrescentou:
  -- A voc entrou na histria e complicou tudo...
As coisas corriam bem... (...) Quanto ao seu irmo,
ele se portou bem, no criou nenhum caso. Foi
maravilhoso. Ns fizemos a nossa parte o melhor
possvel, quem entornou o caldo foi voc. (...) Se
meteu onde no devia e o resultado, esta a. (...)
  -- Vai... vai me... matar? (...)
  -- Bem,  duro, mas  a necessidade.

<R+>
Carlos Heitor Cony e Anna Lee. *O mistrio das aranhas verdes*.
Rio de Janeiro: 
  Salamandra, 2001.
<R->

<210>
Seguindo as pistas do texto

<R+>
 1. Todo texto de suspense usa recursos para manter o leitor sempre
atento ao fio condutor da narrativa. Copie as
estratgias utilizadas na ordem em que foram apresentadas, observando
a seqncia da narrao:

 Carol  ameaada por ter descoberto o
mistrio.
 Jia no chega ao criminoso depois que 
retirada do corpo do co.
 Pergunta sobre aranhas verdes.
 Jia vem da Europa no corpo de um co
dinamarqus.
 Mdico esconde jia na perna engessada
de Flavinho.
 Criao de jia na forma de aranhas para
disfarar as esmeraldas.

 2. Para contar a histria, o autor usa basicamente dois tempos verbais: o
pretrito perfeito e o presente. De modo geral, quando cada um deles
 usado?

<211>
Discutindo as idias do texto

 1. Observe que nem todas as personagens so nomeadas no trecho
apresentado. Com quem Carolina conversa? Justifique sua resposta.
 2. Quem  Flavinho? Segundo o texto, ele ainda est em poder do
criminoso?
 3. O que Carol sentiu quando entendeu toda a trama armada?
<p>
 4. Como a menina chegou  situao em que se encontra no trecho
apresentado?

 5. Em sua opinio:
 a) qual  a principal inteno do autor de um texto de mistrio?
 b)  provvel que as notcias de jornal recebam esse mesmo
tratamento? Por qu?
 c) as idias apresentadas no texto so coerentes e conseguem manter
a ateno do leitor?

 6. Que tipo de texto de suspense voc prefere? Por qu?
<R->

<212>
Ateno  fala e  escrita  

  Leia as frases e compare a idias sugeridas pelos termos destacados:

  A propsito, tambm sou
formado em Medicina... Deixei a
profisso *h* muitos anos...
  Vou me formar daqui *a* trs anos.
  O que cada uma dessas palavras significa nas frases acima?
  Observe que *a* pode adquirir outros sentidos, de acordo com o
contexto.

<R+>
 1. Qual  o sentido e a classe gramatical de *a* em:
 a) Esta foi a ltima fase da operao.
 b) Saiu a procurar o criminoso.
 c) Encontrei-a bastante cansada.

Na ponta da lngua

 1. Releia os fragmentos destacados, responda s perguntas e, com a ajuda
do professor, observe o tempo verbal, explicando, assim, como a
histria foi logicamente desenvolvida.
<R->

<213>
 A --
  -- Sim, duas aranhas verdes... so de
mau gosto, no h dvida. Mas essas
duas esmeraldas, que formam o corpo da
aranha, so as maiores do mundo e agora
me pertencem. Durante muitos sculos,
pertenceram  coroa da Casa Imperial da
ustria, mas foram roubadas. A polcia
da Europa andou atrs delas, at que um
joalheiro de Anturpia resolveu fazer esse
disfarce: acrescentou as patas de platina
e nelas incrustou pequenos diamantes,
colocou dois rubis como olhos, enfim,
mutilou superficialmente as duas
maiores esmeraldas do mundo...
<R+>
 a) As formas verbais so, h, esto em que tempo verbal? O que indicam?
 b) As formas verbais pertenceram, foram, andou, resolveu,
acrescentou, incrustou, colocou e mutilou esto no pretrito
perfeito. O que essas formas indicam com relao aos fatos da
histria?
 c) Conclua: que idias as formas verbais no presente e no pretrito
esto encadeando?
<R->
<p>
 B --
  Carol no sabia se ficava chocada com aquelas revelaes, ou
se aplaudia em p, como num teatro, aquela histria toda. Por
pouco ela conseguia saber de tudo pelos prprios meios, sem a
ajuda de ningum. Suspeitara das marcas das aranhas na perna
do irmo...
<R+>
 a) Liste as formas verbais constantes desse fragmento.
 b) Dessa lista, somente uma forma verbal indica um passado distante; as
outras se referem a fatos que se repetiam no passado. Separe-as de
acordo com essas idias.
 c) Como so denominados esses tempos verbais? Converse com o
professor.
<R->

<214>
 C --
  -- A voc entrou na histria e complicou tudo... As coisas
corriam bem... (...) Quanto ao seu irmo, ele se portou bem, no
criou nenhum caso. Foi maravilhoso. Ns fizemos a nossa parte o
melhor possvel, quem entornou o caldo foi voc. (...) Se meteu
onde no devia e o resultado, esta a. (...)
  -- Vai... vai me... matar? (...)
  -- Bem,  duro, mas  a necessidade.
<R+>
 a) O autor usa, nesse trecho, uma locuo verbal que projeta a situao
narrada para um outro tempo. Que locuo  essa e que tempo ela
indica?

 2. Alm dos tempos verbais, o recurso da retomada de uma idia por
meio de determinadas palavras tambm mantm o fio da narrativa.
  Mandei apanhar o seu irmo. No o maltratei, levei-o para uma
casa da nossa rede e l eu mesmo fiz a operao. Rasguei a gaze,
tirei as pedras e voltei a fazer o curativo.
 a) Que palavra retoma uma casa da nossa rede?
 b) A quem se refere a palavra *nossa*?
 c) E a quem se refere a termo *o* em no o maltratei e levei-o?

 3. Converse com o professor e conclua: que categorias gramaticais
mantm o encadeamento de um texto, por meio do recurso da
retomada?
<R->

<215>
Detalhe puxa detalhe

  Nem s nos textos literrios o recurso da retomada  utilizado.
  Leia o problema a seguir e confira:

  Copie os nmeros
decimais do exerccio anterior, em
ordem crescente.
  Agora, vamos pensar ao contrrio:
quantos inteiros podemos 
<p>
formar com
as quantidades de dcimos abaixo? (...)

<R+>
Ana Lucia Bordeaux et alii. *Matemtica na vida e na escola*.
So Paulo: Editora do Brasil, 2001.
<R->

<R+>
 1. Que expresso do texto est sendo usada como um recurso de retomada?
 2. De acordo com o problema matemtico, como voc entende a
expresso destacada em Agora, vamos pensar ao contrrio?
<R->

Agora voc escreve

  Escreva uma histria de suspense! Imagine que houve um crime em
uma casa misteriosa e que voc ir desvend-lo.
  Lembre-se de que a histria de mistrio requer que haja: uma
personagem misteriosa, um detetive, um culpado, um auxiliar de detetive,
suspeitos, testemunhas e muitos mentirosos...
<p>
Avaliando o texto

  Leia seu texto para um colega e verifique se:
<R+>
 a) voc foi coerente;
 b) sua histria est bem encadeada;
 c) os tempos verbais utilizados sustentam a lgica da narrativa;
 d) os fatos e as personagens mantm o leitor em suspense.
<R->

<216>
Roda de leitura

  Nos contos fantsticos, o autor apresenta elementos sobrenaturais
tratados com naturalidade e perfeitamente integrados ao texto, com
coerncia e unidade.
  Leia, a seguir, um conto que tem muito de fantstico. Depois da leitura,
voc e seus colegas vo debater: quais so os elementos fantsticos do conto?
O dia em que os jacars
  invadiram Nova York

  Deu no jornal: experincias
genticas produziram minsculos
jacars que foram vendidos aos
milhares em Nova York como
brinquedo. Mas eram ferozes como
seus ancestrais e os pais, receosos
de que os filhos fossem mordidos,
despejaram os jacarezinhos nos
vasos sanitrios e puxaram a
descarga. Foi um erro fatal:
centenas de jacars sobreviveram e
fizeram dos esgotos da cidade seu
hbitat. E l, durante anos, se
reproduziram. E cada gerao --
sabe-se l os insondveis mistrios
da gentica -- aumentava de
tamanho, acabando por produzir
espcies muito maiores que os
crocodilos do Nilo. Quando as
autoridades deram pela coisa era
tarde. Pelas sadas do metr, pelas
galerias de esgotos, pelo rio
Hudson, milhes de jacars
gigantescos ganharam as ruas num
ataque-surpresa e comeram a maior
parte da populao.
<217>
  Mais espantoso ainda: os
jacars assimilavam a
personalidade daqueles que
devoravam. De modo que a
estrutura da cidade no se
alterou muito, s que em vez de
seres humanos eram jacars
que dominavam a cidade:
servios pblicos, transportes,
comunicaes, tudo. A Esttua
da Liberdade foi substituda por
um jacar com um archote.
Nem todos os habitantes foram
comidos. Os jacars que
haviam comido os cientistas
especializados em gentica
comearam a fazer experincias
com suas cobaias humanas. At
que conseguiram produzir nos
laboratrios homenzinhos com
20 centmetros de altura, que
foram vendidos como
brinquedos para os filhotes de
jacar. Mas os minsculos seres
no haviam perdido a
ferocidade de seus ancestrais e
comearam a hostilizar seus
donos com lanas
improvisadas. Os jacars, com
receio que seus filhos se
machucassem, pegaram os
homenzinhos e despejaram nos
vasos sanitrios. E 
puxaram a
<p>
descarga. Foi um erro fatal para
os jacars.

<R+>
Jaguar. *Contos jovens*. So Paulo:
Brasiliense, 1987.
<R->

<218>
Curiosidade

  A natureza tambm tem seus mistrios...
  Veja, a seguir, uma reportagem sobre jacars e outros animais que
engolem pedras.Voc no acredita? Ento leia...

Engolidores de pedra

<R+>
Crocodilos, pingins, focas e lees-marinhos so alguns dos
animais que comem pedra para facilitar o mergulho
<R->

  Alguns animais tm hbitos que podemos considerar
curiosos... Os gatos, por exemplo, se lambem para limpar o plo.
J os cachorros instintivamente procuram comer certas ervas
quando esto sentindo algum mal-estar. Mas tem bicho com
hbitos ainda mais intrigantes, como comer pedras!  isso a! E
olha que, em vez de faz-los passar mal, as pedras exercem
funes teis dentro do organismo.
  As pedras engolidas por certos animais, como galinhas e
pombos, so chamadas gastrlitos, que quer dizer pedra do
estmago.  dentro deste rgo que elas ficam armazenadas e
ajudam a triturar os alimentos e a limpar as paredes estomacais
dos parasitas que as infestam. Alm disso, as pedras aliviam a
sensao de fome durante longos perodos em que os bichos
precisam ficar sem comer, j que ocupam um bom lugar em seu
organismo.
  Crocodilos, pingins, focas e lees-marinhos,
entre outros animais aquticos, esto na lista
dos engolidores de pedra. Eles tm em
comum o fato de serem excelentes
mergulhadores. E as pedras ingeridas
funcionam como lastro, isto : os ajudam a
afundar, da mesma forma que os cintos
de chumbo servem aos mergulhadores
profissionais. Nos casos dos leesmarinhos,
as pedras s vezes so to
grandes que chegam a chamar ateno:
podem ter at meio quilo. (...)

<219>
Criana no pode

  Tudo bem que a gente s vezes tambm come umas coisas
esquisitas, mas que ningum invente de dar uma de bicho e
resolva comer pedra. Para os animais elas podem 
ser teis, mas para ns, seres 
 humanos, fazem um mal danado.

<R+>
Salvatore Siciliano*. Cincia Hoje das Crianas. In: *O Globo*. Rio de Janeiro, 4 set. 2004. Globinho.
* Escola Nacional de Sade Pblica, Fundao Oswaldo Cruz
~,www.ciencia.org.br~,
<R->

<R+>
 1. Troque idias com o colega:  difcil acreditar no que a reportagem
conta? Por qu?
 2. Ao lado do nome do escritor, h um asterisco (*), que informa, ao
leitor, o nome de uma instituio. Qual  o objetivo disso?
 3. No texto, h um alerta s crianas. Que trecho  esse e qual  seu
objetivo?
<R->

<220>
Vamos ler 2

  Ser que este texto desvenda o mistrio da origem do Universo?

  Os mitos so sempre formas fantsticas de contar como as
coisas aconteceram no incio do mundo. (...) Por meio deles os
homens explicam a origem do universo, do dia e da noite, da
sade e da doena, do sol, da lua, da vida e da morte, enfim,
explicam tudo de forma a ordenar a vida das pessoas em
comunidade.
  Os mitos no possuem uma lgica muito fcil de ser
compreendida  primeira leitura. Para entend-los  necessrio
um conhecimento prvio dos povos a que pertencem (...).

<R+>
Daniel Munduruku. *Histrias de ndio*. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 1996.
<R->

A guia dos ovos de ouro
  
  Luonnotar, moa linda, deslizava no azul. Fazia isso havia anos,
sculos talvez... Filha da Natureza, flutuava no espao infinito e
deserto. Pouco a pouco, sentiu-se invadir por um grande cansao.
Estava farta daquela existncia solitria, queria conhecer outras
coisas...
  Longe, muito longe, no fundo do domnio areo de Luonnotar,
ficava o mar, tambm infinito. A moa tomou impulso e, a toda
velocidade, desceu das alturas onde vivia. Foi pousar em pleno
oceano, sobre a crista das ondas. Quando soprou um vento violento,
ela conheceu a tempestade e ficou muito tempo  deriva, jogada de
um lado para o outro como um barquinho frgil.
  Depois, veio a calmaria, e Luonnotar sentiu dentro de si uma fora
nova. Soube ento que estava esperando um filho, o qual s nasceria
quando ela tivesse preparado o mundo para receb-lo.
  Durante nove anos, Luonnotar explorou o mar sem fim, na
esperana de descobrir uma praia onde pudesse parar e descansar.
Mas foi em vo. Estaria condenada a vagar para sempre sobre as
ondas? Ficou com medo e chorou.
<221>
  Com os olhos ofuscados
pelas lgrimas, no viu a
guia de enormes asas
que voava sobre a
imensido marinha.
Era uma fmea, em
busca de um lugar para
construir seu ninho. Mas,
coitada, aquele mundo de
gua e vento no lhe
oferecia nenhum abrigo, e
ela comeou a distanciar-se,
lanando gritos muito tristes.
  Luonnotar ouviu-a e, boiando de
costas para melhor enxergar o pssaro,
levantou um joelho sobre as ondas. A guia
mergulhou para a ilhota providencial, onde
construiu um ninho e botou sete ovos, seis de ouro e um de ferro.
  A ave chocou os ovos durante trs dias. Luonnotar nem ousava
mexer-se, mas ao final do terceiro dia sentiu o joelho arder e no
conseguiu permanecer imvel. Esticou a perna e sacudiu-a. Os ovos
rolaram, caram na gua e quebraram-se. Entretanto, em vez de
afundarem, os diferentes elementos que compunham cada ovo
transformaram-se sob o olhar espantado de Luonnotar. As cascas
quebradas dos ovos de ouro ficaram gigantescas. Umas subiram, bem
leves, at as regies mais altas do ar, onde, suspensas, formaram a
abbada celeste. Outras se juntaram para formar a terra. As gemas
tornaram-se o Sol; as claras, a Lua. J os pedacinhos das cascas deram
origem s estrelas e s nuvens, conforme fossem dos ovos de ouro ou
do ferro.
  Agora, onde Luonnotar encostava o seu corpo, brotavam fontes,
rios, cavernas e lagos.
Terminado o trabalho, ela enfim ps no mundo o filho que trazia
no ventre havia tantos e tantos anos -- o heri Wainamoinen, que seria
o primeiro 
a semear e cultivar a terra modelada por sua me.

<R+>
Claude-Catherine Ragachi e Marcel Laverdet. *A criao do mundo -- mitos e lendas*. Traduo de
Ana Maria 
  Machado. So Paulo: tica, 2003.

<222>
Seguindo as pistas do texto

 1. Procure no dicionrio o significado das palavras cujo sentido voc no
conseguiu construir durante a leitura do texto.
 2. Com o colega, releia cada parte da narrativa de Luonnotar. Nessa
releitura, observem como as partes esto encadeadas a fim de produzir
o sentido completo da histria.

Discutindo as idias do texto

 1. Luonnotar era linda, mas no era feliz. Encontre no texto os dois
momentos da narrativa que reforam a infelicidade da personagem.
 2. Que domnios existiam por onde ela vivia?
 3. Qual era a funo de Luonnotar na narrativa?
 4. Quem auxilia a moa a atingir seu objetivo?
 5. O momento mais importante da histria ocorre quando Luonnotar se
mexe e os ovos da ave se quebram. O que aconteceu com as cascas, as
gemas e as claras dos ovos?
 6. O que representa o filho de Luonnotar?
<p>
 7. D sua opinio:
 a) Voc achou interessante o mito de Luonnotar?
 b) As descobertas cientficas podem acabar com os mitos criados pelas
diferentes culturas? Por qu?
<R->

<223>
Detalhe puxa detalhe

  Repare que a narrativa apresenta muitos adjetivos. Observe essa classe
gramatical nos fragmentos abaixo:

  Luonnotar, moa *linda* (...)
flutuava no espao *infinito* e
*deserto*. Pouco a pouco, sentiu-se
invadir por um *grande*
cansao. Estava *farta* daquela
existncia *solitria*, queria
conhecer outras coisas...

  Com os olhos *ofuscados*
pelas lgrimas, no viu a guia
de *enormes* asas que voava
sobre a imensido *marinha*.

<R+>
 1. Que efeito produz, no texto, o uso de adjetivos?

 2. Em relao ao adjetivo:
 a) Se voc quisesse dizer, em apenas uma palavra, que Luonnotar era
uma moa muito, muito linda, que alteraes faria no adjetivo?
 b) E para dizer que o cansao de Luonnotar era grande demais?
 c) Que sentido essas alteraes produziriam no texto?

 3. O adjetivo *marinha* pode ser substitudo por uma expresso, mantendo
a mesma idia. Que expresso  essa?
<R->

<224>
Texto dialoga com texto

  O surgimento do Universo ainda  um tema no resolvido.Teorias e
mais teorias surgem, tentando comprovar os mistrios da vida. Esse  um
dos papis da cincia.
<p>
Big-Bang

  O tempo e o espao foram criados cerca de 15 bilhes de anos
atrs. Antes, nada acontecia, pois nada podia acontecer sem tempo.
Alm disso, no havia lugar algum para as coisas acontecerem.
  No instante em que o tempo e o espao foram criados surgiram
tambm a matria e a energia de que nosso Universo  feito. Esse
acontecimento csmico, em que se criaram os fundamentos do
Universo,  chamado de Big Bang, ou grande exploso.
  A ocorrncia do Big Bang , hoje, considerada um fato, embora
no se possa descrever o que aconteceu naquele momento. (...)
  A evidncia de que o Big Bang efetivamente aconteceu vem sendo
reconhecida pelos astrnomos h muitos anos. Assim, as muitas
galxias observveis afastam-se uma das outras a grandes
velocidades. Mas elas no se movem atravs do espao:  o espao
que est se expandindo. As galxias so como manchas sobre um
balo que se enche:  medida que ele infla, as manchas vo se
afastando entre si.

<R+>
Fronteiras do espao.
In: 
  *Enciclopdia Descobrir*.
So Paulo: Globo, 1990.

<225>
 1. Leia a frase a seguir e responda: que informao sugere a palavra
destacada?
  A ocorrncia do Big Bang , *hoje*, considerada um fato (...)
 2. Por que o texto 2 pode ser considerado um texto cientfico e o mito
de Luonnotar no?
 3. Comparando a linguagem do texto A guia dos ovos de ouro com a
do Big Bang, responda: por que o segundo texto no utiliza tantos
adjetivos?
 4. Em sua opinio, como seriam as capas dos livros em que foram
publicados os textos A guia dos ovos de ouro e Big Bang?
  Desenhe-as em uma folha de papel e, depois, coloque no mural da
classe. Ser que suas capas ficaram muito diferentes das de seus
colegas?

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>
<R->

Agora voc escreve

  Escolha um fenmeno da
natureza -- o eclipse da lua, a chuva,
o desabrochar de uma flor... --
e, por meio de uma histria
fantstica, explique-o. Mantenha
o encadeamento e a coerncia
de suas idias.

Avaliando o texto

  Voc e seus colegas vo escolher um dia para que todos contem a
histria que escreveram. Observem se as histrias esto bem contadas e
se conseguem convencer...
  Depois, afixem as histrias no mural.

<226>
Trabalhando a oralidade

  A seguir, voc vai ler uma entrevista com o ator Daniel Radcliffe, que
interpreta, no cinema, a personagem Harry Potter. Quando a revista *SET*
entrevistou Daniel, ele estava filmando o segundo episdio da srie: *Harry
Potter e a cmara secreta*.
  Depois de ler o texto, forme dupla com um colega e leiam a entrevista
em voz alta, um fazendo o papel do entrevistador e o outro do ator.
Ateno: fique atento  pontuao!  ela que vai determinar sua entoao.
<p>
Daniel Radcliffe: bruxinho sem 
  segredos

  Harry Potter, acredite,  um garoto normal. Estuda, sai com os
amigos, gosta de cinema e msica. Claro, no o bruxinho, mas sua
verso de verdade, Daniel Radcliffe.
<R+>
 SET -- Como voc v a evoluo de seu personagem de *A pedra
filosofal* para *A cmara secreta*?
 Daniel -- No primeiro filme, Harry reage ao que ele v, s coisas que
esto acontecendo, esse mundo novo. Em *A cmara secreta* ele  mais
ativo, disposto a lutar para defender Hogwarts e seus amigos. (...)
 SET --  fcil interpretar Harry da segunda vez?
 Daniel -- Eu diria que  bem melhor porque ele evoluiu muito do
primeiro para o segundo livro. E, como a histria ficou mais sombria,
houve novos desafios. Mas foi muito legal trabalhar com cada um
deles.
 SET -- Como foi trabalhar com Dobby, o elfo, j que ele  um
personagem totalmente digital?
 Daniel -- Muito difcil. Eu j havia trabalhado com efeitos no primeiro
filme, mas nada como Dobby, que se movimenta sem parar. Eu seguia
a orientao de Cris para ter a certeza absoluta de onde ele estaria.
 SET -- As aventuras de Harry Potter ainda esto sendo criadas, no 
uma srie terminada. Como voc imagina que ser o futuro do
personagem? J sabe alguma coisa sobre o quinto livro?
 Daniel -- Absolutamente nada, eu mal posso esperar para ler, como
todo mundo. Acho que seria bobagem de minha parte tentar
imaginar o que *J. K. Rowling* est preparando para o quinto livro.
<227>
 SET -- E qual  o seu livro favorito da srie?
 Daniel -- Logo quando li as quatro aventuras considerava *A cmara
secreta* o meu favorito. Mas depois de reler *O prisioneiro de Azkaban*
fiquei to fissurado com a histria que agora ele est no topo. (...)
 SET -- E qual  o seu filme favorito?
 Daniel -- Hmmm... Com certeza ainda  *11 homens e um segredo*.

SET. So Paulo: Peixes, maio 2002.
<R->

<228>
Texto do dia-a-dia

  Revistas e jornais costumam publicar listas de livros mais vendidos. Leia:

<R+>
Infanto-juvenil
 1. Angus -- O Guerreiro de Deus
  Orlando Paes Filho, Planeta Brasil (4, 1)
 2. O Pequeno Prncipe
  Antoine de Saint-Exupry, Agir (81, 3)
 3. Almanaque Ruth Rocha
  Ruth Rocha, tica (1)
 4. Histrias de Bruxa Boa
  Lya Luft, Record (1)
 5. Harry Potter e a Ordem da Fnix
  J.K. Rowling, Rocco 
  (46, 4)

Revista *poca*. So Paulo: Globo. ed. 335, 18 out. 2004.
  ~,http:revistaepoca.globo.~
  comEpoca~,.
Acesso: 27 out. 2004.

 1. Em sua opinio, h algum livro de mistrio na lista? Justifique sua resposta.
 2. Voc j leu algum desses livros ou tem curiosidade de ler?
 3. Voc sabe o que significam os nmeros que esto entre parnteses?
  Converse com o professor.
 4. Organize, com seus colegas, uma lista dos livros de mistrio preferidos
pela classe. O professor vai escrever os ttulos no quadro-de-giz e a
classe vai organizar uma tabela com os que receberam mais indicaes.
  Em seguida, transforme o resultado da votao em um grfico.
<R->

<229>
Divertimento

  Max e Mini foram passar as frias em Bola-Bola, a maior das Ilhas
Dengosa. Em vez da tranqilidade esperada, depararam com um
mistrio, que acabou levando-os para...

A toca do Pirata

  -- Estamos por detrs da cachoeira! -- gritou Mini, espantada. --
Achamos o tesouro!
  -- Esta deve ser a sala secreta do tal pirata! -- comentou Max.
  -- Mas cad o tesouro? -- disse Mini.
  Max no respondeu. Comeou a examinar pedaos de papel,
amarelos pelo tempo.
  -- No  nenhum mapa de tesouro -- disse Mini, tentando ler o
que estava escrito.
  -- Est certo que no  um mapa -- disse Max. -- Mas talvez as
pistas estejam aqui. Primeiro temos de encaixar os quatro
pedaos, depois vamos ver...

<R+>
_`[{desenho mostrando um texto escrito num papel amarelado, rasgado em quatro pedaos desencontrados_`]

Mark Burgess. *Motim na Baa dos Ossos*. So Paulo: 
  Scipione, 2001.
<R->

  Voc consegue ler a mensagem?

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>
<L>
<230>
 Vamos ler 3

  Muitas vezes no entendemos um mito... E perguntamos: mas por que
a guia botou seis ovos de ouro e s um de ferro?  que todo mundo
quer compreender mistrios e acaba com algumas manias.
  Voc vai ler agora uma histria de algum que tinha...

Mania de explicao

  Era uma menina que gostava de inventar uma explicao para
cada coisa.
  Culpa  quando voc cisma que podia ter feito diferente,
mas geralmente no podia.
  Desculpa  uma frase que pretende ser um beijo.
  Beijo  um carimbo que serve pra mostrar que a
gente gosta daquilo.
  Amor  um gostar que no diminui de um
aniversrio pro outro.
  No. Amor  um exagero... Tambm no. 
um desadoro...
  Uma batelada? Um enxame, um
dilvio, um mundaru, uma insanidade,
um destempero, um despropsito,
um descontrole, uma necessidade,
um desapego?
  Talvez porque no tivesse
sentido, talvez porque no
houvesse 
explicao, esse
negcio de amor ela
no sabia explicar, a
menina.

<R+>
Adriana Falco. *Mania
de explicao*. Rio de
Janeiro:
Salamandra, 2001.

<231>
Seguindo as pistas do texto

 1. Observando as explicaes
apresentadas no texto, que palavra
comumente inicia as definies?
 2. Procure, no dicionrio, as palavras
que so definidas pela menina: a
definio  a mesma? Justifique sua
resposta.
<p>
Discutindo as idias do texto

 1. Por que a menina tinha mania de
explicao?

 2. Explique o que a menina quis dizer
com a definio de:
 a) culpa;
 b) beijo.

 3. Em sua opinio, as explicaes da
menina foram coerentes? Por qu?
 4. Quando tenta definir amor, a
menina usa o termo *desadoro*. O
que essa palavra significa? Consulte
o dicionrio.
 5. A menina tem dificuldades em
definir o amor. Que definio voc
daria a esse sentimento?
<R->

<232>
Detalhe puxa detalhe

  Voc sabe explicar o mistrio das diferentes fases da vida do ser
humano?
  Leia o poema:

As quatro gares

 *infncia*
 O camisolo
 O passarinho
 O oceano
 A visita na casa que a gente sentava no sof

 *adolescncia*
 Aquele amor
 nem me fale

 *maturidade*
 O Sr. e a Sra. Amadeu
 Participam a V. Exa.
 O feliz nascimento
 De sua filha
 Gilberta

 *velhice*
 O netinho jogou os culos do av
 Na latrina
 
<R+>
Oswald de Andrade. *Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade*.
Rio de Janeiro: Globo, 1994.
<p>
 1. Que seqncia  apresentada no poema?
 2. Como o autor monta essa seqncia?
 3. Explique como o ttulo do poema se relaciona com as idias nele contidas.
<R->

<233>
 Uma atividade diferente

  O professor divide a classe em grupos. Cada grupo cria um ser
fantstico. Para fazer sua personagem, utilizem material de sucata -- caixas
de papelo, barbante, linha, botes, revistas e jornais --, alm de tinta,
pincis, papis variados e cola.
  Criem uma histria para apresentar sua personagem aos outros
grupos: digam quem , de que  feita, onde vive, como se comunica, qual 
sua misso neste mundo, em que mistrio est envolvida...
  Depois da apresentao, organizem uma exposio para as classes de 1
srie. Ser que os alunos vo gostar dos seres fantsticos criados por vocs?

               oooooooooooo
<234>
<p>
Unidade 9

Transformaes

  O mundo, as pessoas, as
palavras se transformam...
  Nesta unidade, voc vai ler
diferentes textos que, de alguma
forma, permitem uma discusso
sobre transformao.
  E voc? Mudou muito? J vai
para a 5 srie!
  Quantas transformaes, no?

<235>
Uma atividade diferente

  Transformar uma histria em cineminha? Isso  possvel?
  Forme um grupo com seus colegas e mos  obra:
  Escrevam uma histria em uma folha de papel e verifiquem que trechos
vocs podem transformar em cenas de cinema.
  Sigam o roteiro para a montagem do cineminha.

<R+>
 1 Renam o material: uma caixa, dois
espetos de madeira grandes, tesoura,
cola, papel sulfite e lpis de cor.
 2 Cortem uma janela no fundo da
caixa, faam quatro furos nas laterais
perto da janela e introduzam os espetos,
de modo que eles possam girar.
 3 Cortem as folhas de papel sulfite do
tamanho da janela e colem as
extremidades umas nas outras, para
formar o rolo do filme.
 4 Desenhem as cenas da histria,
colocando uma cena em cada folha, no
sentido vertical do papel.
 5 Colem a ponta do papel que tem o
fim da histria no espeto de baixo, por
dentro da caixa, e enrolem o filme.
Colem, agora, a ponta que tem o incio
da histria no espeto de cima.
 6 Tudo pronto! Apresentem o filme 
classe e recebam os aplausos!
<R->

<236>
Vamos ler 1

  Odacir era um garoto muito precoce... e diferente! Quer ver?

Sfot poc

  Chamava-se Odacir e desde pequeno, desde que
comeara a falar, demonstrara uma estranha
peculiaridade. Odacir falava como se escreve.
Sua primeira palavra no foi apenas Gugu. Foi:
  -- Gu, hfen, gu...
  Os pais se entreolharam, atnitos.
O menino era um fenmeno. O pediatra no
pde explicar o que era aquilo. Apenas
levantou uma dvida.
  -- No tenho certeza que gugu se escreve
com hfen. Acho que  uma palavra s, como
todas as expresses desse tipo. Dad, etc.
  -- D, hfen, d -- disse o beb, como
que para liquidar todas as dvidas.
  Um dia, a me veio correndo.
Ouvira, do bero, o Odacir chamando:
  -- Mama sfot poc.
  E, quando ela chegou perto:
  -- Mama sfotoim poc.
  S depois de muito tempo os pais se deram conta. Sfot poc
era ponto de exclamao e sfotoim poc, ponto de interrogao.
  Na escola, tentaram corrigir o menino.
  -- Odacir.
  -- Presente sfot poc.
  -- V para a sala da diretora!
  -- Mas o que foi que eu fiz sfotoim poc.
  Com o tempo e as leituras, Odacir foi enriquecendo seu repertrio
de sons. Quando citava um texto literrio, comeava e terminava a
citao com spt, spt. Eram as aspas. Alis, no dizia nada sem antes
prefaciar com um zit. Era o travesso. Foi para a sua namorada que
ele disse certa vez, maravilhado com a prpria descoberta (...):
<237>
  -- (...) Tudo que a gente diz  dilogo sfot poc.
  -- Olhe, Odacir. Voc tem que parar de falar desse jeito. Eu gosto de
voc, mas o pessoal fala que voc  meio biruta.
  -- Zit spt spt biruta spt spt sfotoim poc.
  -- Viu s? Voc no pra de fazer esses barulhos. E ainda por cima,
quando diz sfotoim, cospe no meu rosto.
  O namoro acabou. Odacir aceitou o fato filosoficamente,
aproveitando para citar o poeta.
  -- Zit spt spt. Que seja infinito enquanto dure poc poc poc spt spt.
  Poc, poc, poc eram as reticncias.
  Odacir era fascinado por palavras. Tornou-se o orador da sua
turma e at hoje o seu discurso de formatura (em Letras)  lembrado
na faculdade. Como os colegas conheciam os hbitos do Odacir, mas
os pais e os convidados no, cada novo som do Odacir
era interpretado, aos cochichos, na platia:
  -- Zit meus senhores e minhas senhoras poc poc.
  -- Poc, poc?
  -- Dois-pontos.
  -- Que rapaz estranho...
  -- A senhora ainda no viu nada...
  Quando lia um texto mais extenso,
Odacir acompanhava a leitura com o corpo.
As pessoas viam, literalmente, o Odacir mudar de pargrafo.
  -- Mas ele parece que est diminuindo de tamanho!
  -- No, no.  que a cada novo pargrafo ele se abaixa um pouco.
  Quando chegava ao fim de uma folha, Odacir estava quase no
cho. Levantava-se para comear a ler a folha seguinte.
  -- Colegas sfot poc Mestres sfot poc Pais sfot poc. No limiar de uma
era de grandes transformaes sociais plic o que ns plic formandos
em Letras plic podemos oferecer ao mundo sfotoim poc.
  A grande realizao de Odacir foi o trema. Para interpretar o
trema, Odacir no queria usar poc, poc, que podia ser confundido
com dois-pontos. Poc plic era ponto-e-vrgula. Um spt s era
apstrofo. Como seria trema? Odacir inventou um estalo com a
lngua, algo como tlc, tlc. Difcil de fazer e at perigoso. Ainda bem
que tinha poucas oportunidades de usar o trema.

<R+>
Luis Fernando Verissimo. 
  *O analista de Bag*. Porto Alegre: L&PM, 1985.

<238>
Seguindo as pistas do texto

 1. Voc consegue identificar cada um dos sinais a seguir de acordo com o
cdigo de Odacir?
 a) ponto de exclamao
 b) ponto de interrogao
 c) dois-pontos
 d) vrgula
 e) trema
 f) hfen
 g) aspas
 h) travesso
 i) reticncias
 j) ponto-e-vrgula
 l) apstrofo

 2. O texto no informa como Odacir representava o ponto final. Depois
de conhecer os cdigos, como seria esse ponto?

 3. Reescreva as frases destacadas, usando os sinais de pontuao. Depois,
apresente a funo bsica de cada um deles.
 a) -- Mama sfot poc. 
 b) -- Mama sfotoim poc.
 c) -- Presente sfot poc.
 d) -- Mas o que foi que eu fiz sfotoim poc.
 e) -- Tudo que a gente diz  dilogo sfot poc.
 f) -- Zit spt spt biruta spt spt sfotoim poc.
<p>
 g) -- Zit spt spt. Que seja infinito enquanto dure poc poc poc spt spt.
 h) -- Zit meus senhores e minhas senhoras poc poc.
 i) -- Colegas sfot poc Mestres sfot poc Pais sfot poc. No limiar de uma
era de grandes transformaes sociais plic o que ns plic formandos
em Letras plic podemos oferecer ao mundo sfotoim poc.

<239>
Discutindo as idias do texto

 1. O que o menino tinha de diferente?
 2. Que fatos indicam que Odacir era fascinado por palavras?
 3. Voc acha que Odacir estava certo? Por qu?
 4. Que recurso o falante de uma lngua usa para mostrar os diferentes
sinais apresentados no texto?
<R->
<p>
Ateno  fala e  escrita

  H regras para a colocao de acentos grficos nas palavras.
<R+>
 1. Copie o quadro abaixo e acentue as palavras, se
necessrio.
 hifen -- alias -- paragrafo -- im -- bebe -- voce -- plateia --
habito -- literario -- album -- dificil -- lapis --
vintens -- apostrofo -- atonito -- tamanho -- bonus --
duvida -- dialogo -- leitura -- cipo -- orador -- javali --
chute -- chule -- virus -- lingua -- marrom --
reporter -- avel -- dure -- terminava -- ainda --
infinito -- orgo -- chegou -- armazens
 2. Agora, faa uma tabela classificando as palavras do
quadro em proparoxtonas, paroxtonas e oxtonas, acentuadas e no
acentuadas.
 3. Conclua: quando se acentuam...
 a) as palavras proparoxtonas?
 b) as palavras paroxtonas?
 c) as palavras oxtonas?
<R->
<L>
<240>
 Vamos ler 2

  O sentido das palavras se transforma? De que maneira?

<R+>
Em boca fechada no entra mosca

 Era uma BOCA,
 BOCA sem voz...
 BOCA fechada, calada,
 carnuda, beiuda,
 muda, muda, muda...

 BOCA muda,
 muda BOCA...
 em BOCA fechada
 no entra mosca...

 Ser por isso
 que essa BOCA no abre,
 no fala, no sorri,
 no conta uma histria?

 Faz BOCA de siri
 e fica muda,
 o tempo todo muda...
 deu sumio nas palavras,
 e esconde na BOCA de memria
 a sua histria...
 ora, ora, ... brincadeira tem 
  hora! (...)

 Um dia foi pega com a BOCA na botija
 no fez o que seu mestre mandou...
 e, num bate-BOCA malcriado,
 teve seu corpo maltratado,
 sua BOCA amordaada,
 seus desejos adiados...

<241>
 Mas com a BOCA cheia d'gua
 no se fez de rogada
 reagiu e conseguiu
 sua histria continuar
 e em sua BOCA ousada
 a voz de seu povo ecoar...

 S agora consigo entender os 
  motivos
 dessa BOCA to exagerada,
 nessa cabea to pequena,
 nesse corpo to avantajado...
<p>
 
 Agora consigo te ver,
 te sentir, te ouvir
 na voz do sambista-compositor,
 nos passos da mulata subindo a 
  ladeira,
 no canto da lavadeira,
 no lamento da cozinheira,
 no jogo da bola
 que rola nos ps do artista-
  -jogador
 nas mos do arteso
 esculpindo a madeira
 no palco,
 na cena brasileira do artista-ator

 Agora, consigo penetrar no teu povo
 e te reconheo como irm brasileira
 nesse trao imortal da pintura 
  moderna
 escorrendo nas cores
 a luz, o suor, o sangue das 
  dores...
<p>
 
 Nesse corpo-morada,
 travessia do povo brasileiro,
 nesses seios gigantes a amamentar a fome,
 nesses enormes ps sangrando
 pela seca caminhada,
 nesses lbios to cheios de histrias
 para cantar, contar e pintar
 tua Negra BOCA brasileira!

Ftima Miguez. *Em boca fechada no entra mosca*.
So Paulo: DCL, 1999.

<242>
Seguindo as pistas do texto

 1. Explique os sentidos da palavra boca de acordo com o poema:
 a) BOCA sem voz.../muda, muda, muda...
 b) BOCA muda/muda BOCA
 c) Em BOCA fechada/no entra mosca
 d) BOCA de siri
 e) BOCA de memria
 f) BOCA na botija
 g) bate-BOCA malcriado
 h) BOCA amordaada
 i) BOCA cheia d'gua/BOCA ousada

Discutindo as idias do texto

 1. Qual  o tema abordado no texto?
 2. Explique, com suas palavras, o que o texto conta.
 3. Como o sentido da palavra *boca* foi se alterando no decorrer do poema?
<R->

<243>
Texto dialoga com texto

  A palavra boca se transforma em poema. Leia:

<R+>
Boca a boca

 Comeou  boca
 Pequena entre frases do
 tipo boca-de-siri e
 cala-te boca e deixa eu guardar
 minha boca pra comer piro
 mas aos poucos
 enquanto o presidente
 dizia que amos
 estourar a boca do
 balo e muita gente
 fazia boquinha as
 histrias da boca-livre
 em que tinha se
 transformado o pas
 foram passando de boca
 em boca mas  meia-boca
 at que algum botou
 a boca no trombone e
 outros botaram a boca
 no mundo e outros
 deram com a lngua
 nos dentes e pegaram
 gente com a boca na
 botija o que deixou
 muita gente de boca
 aberta e tem um bocado
 de gente dizendo que agora
 sim o Brasil toma jeito o
 que  timo. Se no
 for, claro, s da boca
 pra fora. Mas por que esta
 impresso que algum
 em algum lugar est
 dando uma
 gargalhada?

Luis Fernando Verissimo.
*Poesia numa hora dessas*?!. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

<244>
 1. Compare os poemas Em boca fechada no entra mosca e Boca a
boca. Responda:
 a) Qual  o tema de cada um desses textos?
 b) No texto de Luis Fernando Verssimo, a palavra boca, associada a
outros termos, adquire vrios sentidos. Que sentidos so esses?
 c) Comente o final de cada texto.

Detalhe puxa detalhe

 1. Os verbos so importantes nos enunciados, pois eles indicam a ao
que devemos executar em cada exerccio. Escreva o
sentido de cada verbo que inicia a 
  frase.
 a) *Transcreva* o texto.
 b) *Compare* os textos.
 c) *Reescreva* o texto.
 d) *Comente* o texto.
 e) *Identifique* a idia principal do texto.
 f) *Justifique* sua opinio sobre o texto.
 g) *Esquematize* o texto.
 h) *Ilustre* o texto.
 i) *Relacione* os textos.

<245>
 2. Com seus colegas, forme seis grupos. Cada grupo escolher um verbo
da atividade anterior e ir aplic-lo aos poemas Em boca fechada no
entra mosca e Boca a boca de acordo com as seguintes propostas:
 Grupo 1 -- Transcreva em uma folha de cartolina os poemas, ilustrando
cada uma das estrofes.
 Grupo 2 -- Compare detalhadamente os poemas.
<p>
 Grupo 3 -- Reescreva os poemas em prosa.
 Grupo 4 -- Identifique, nos dois poemas, as estrofes que fazem crticas a
alguma situao.
 Grupo 5 -- Relacione os poemas, tendo em vista o tema de cada um deles.
 Grupo 6 -- Esquematize as idias dos poemas.
<R->

  Ao final, cada grupo apresenta seu trabalho para a classe, para que
todos tenham a viso global da atividade que foi realizada.

<246>
 Vamos ler 3
 
  Da infncia at a adolescncia, quantas mudanas... E quantos segredos...
O pior  quando os segredos se transformam em notcia, e todo mundo
fica sabendo. E agora?
<p>
No conta pra ningum

  (...) Na manh seguinte, Alice
estava comendo seu lanche. Na
maior dificuldade. A cada
mordidela no sanduche, chegava
uma garota dando os parabns.
At as meninas pequenas e as de
outras classes. Alice ia ficando
cada vez mais vermelha.
Vermelhssima. E furiosa. Quase
estourou de tanta raiva engolida.
  Alice s se perguntava como 
que todo mundo j sabia que
Nando pediu pra namorar com ela.
E ela ainda nem tinha dado a
resposta... Continuava na maior
dvida. Seria legalrrimo namorar
com ele. Maior gato da classe. Ia
marcar pontos com a escola toda.
Muitas meninas iam cair duras e
roxas de inveja. Mas ele era muito
metido. Convencidssimo. S tinha
pinta. Era at meio grosso. Metido
a valento.
<247>
  Suspirou fundo e ficou pensando no que 
que ia fazer. No ia falar com aquela fofoqueira
da Zuzu. De jeito nenhum. Pensou e repensou.
Sozinha, quieta no seu canto. Comparou o
Nando com os outros garotos da classe, da rua,
da escola... Teve uma idia. Deixar a sorte
resolver. Escreveu SIM num papelzinho e NO
num outro. Sorteou com os olhos fechados. Abriu
e leu bem depressinha. No gostou do que deu.
Sabia que no era o que queria. A sorte queria
uma coisa, ela outra. Amassou e jogou fora os
papeizinhos.
  Estava resolvido. Respirou aliviada. No ia
topar. Por enquanto, ia ficar sem namorado. Com
o Nando, no queria nada. Mesmo! Ia falar com
ele. Dar uma explicao. Afinal, pedido  pedido.
Merecia resposta. Mas, pras amigas, nenhuma
palavra. S silncio sobre o assunto. Podiam
perguntar  vontade. Ela ficaria totalmente
muda. Que ficassem mortas de curiosidade. Azar
o delas. No ia contar pra ningum. Decidido.
Este seria seu segredo secreto.

<R+>
Fanny Abramovich. *Segredos secretos*. So Paulo: Atual, 2001.
<R->

<248>
<R+>
Seguindo as pistas do texto

 1. As palavras *vermelhssima, legalrrimo, convencidssimo* e *valento*
passaram por transformaes. Explique essas mudanas e o efeito que
elas produzem no texto.
 2. Amassou e jogou fora os papeizinhos.
  Que alteraes ocorreram com o substantivo *papel*?
 3. Como voc explica a expresso segredo secreto?
 4. O texto utiliza algumas construes prprias da fala. Exemplifique.
<p>
Discutindo as idias do texto

 1. O primeiro pargrafo do texto apresenta a personagem e o conflito
que ela vive.Tendo em vista as atitudes apresentadas, o que voc pode
deduzir sobre a personalidade da menina?
 2. A jovem analisa os pontos positivos e os negativos do namoro com o
colega. Apresente essa anlise.
 3. Mesmo depois de fazer a anlise, ela fica na dvida e resolve tirar a
sorte. Em sua opinio, o sorteio deu sim ou no? Justifique sua resposta.
<R->

<249>
Na ponta da lngua

  H classes de palavras que aceitam flexes -- chamadas *variveis* -- e outras que no aceitam -- as *invariveis*.

  Alice s se perguntava como  que
todo o *mundo j* sabia que Nando
pediu pra namorar com ela. E ela
ainda nem tinha dado *a* resposta...
Continuava na maior dvida. Seria
legalrrimo namorar com ele. Maior
gato da classe. Ia marcar pontos com
*a* escola toda. *Muitas* meninas *iam*
cair *duras* e roxas de inveja. Mas ele
era muito metido. *Convencidssimo*.
S tinha pinta. Era *at* meio grosso.
Metido a valento.

<R+>
 1. Copie o quadro a seguir e complete-o com base nas
palavras destacadas no trecho acima. 
  Siga o exemplo:

Palavra -- Classe gramatical
  Flexiona-se em:
 a) nmero (singular/plural) sim/no
 b) gnero (masculino/feminino) sim/no
 c) grau (aumentativo/diminutivo/superlativo) sim/no
 d) tempo (presente, pretritos, futuro)
<p>
 Exemplo: mundo/substantivo
 a) sim
 b) sim
 c) sim
 d) --

 2. Conclua: das classes gramaticais apresentadas:
 a) quais so invariveis?
 b) quais so variveis?
 c) qual varia em tempo?
<R->

<250>
Trabalhando a oralidade

  Quem disse que s os meninos gostam de esportes radicais? Mais
transformaes...
  Leia o texto a seguir:

As meninas superpoderosas

Elas querem as emoes dos 
  esportes radicais

  O universo das manobras radicais era, at pouco tempo atrs,
domnio de garotos enfiados em bermudes e calas
largas. Skate e surfe eram coisas de menino.
Eram. Hoje, mais e mais meninas lotam as
pistas, deslizam no mar e freqentam
quadras em busca de emoes radicais
desses e de outros esportes. Como o
futevlei. No se trata de uma ou
outra iniciativa isolada. A mulherada
resolveu encarar o desafio com
charme, estilo e boas performances.
Elas so tantas que ganharam turmas
especiais nas escolinhas de surfe, quadras exclusivas
para treinar futevlei, pranchas e skates com shape (o
solado de madeira) decorados com motivos delicados, sem falar em
um sem-nmero de produtos exclusivos, do macaco de neoprene
com detalhes em rosa, para as surfistas, a calcinhas coloridas para
usar por baixo das bermudas, para as skatistas. A mulher hoje no
precisa mais se fantasiar de homem para praticar esses esportes, diz
Christie Aleixo, 26 anos, skatista carioca, segundo lugar no Primeiro
Circuito Paulistano de 2003, fera absoluta em uma das modalidades
mais radicais do negcio: a downhill, que consiste em descer ladeiras
ngremes velozmente, de p na prancha com rodinhas. (...)

<R+>
Dbora Ghivelder e Fernanda Thedim. *Veja Rio*. ed. 1844. Rio de Janeiro: Abril, 10 mar. 2004.

 1. Hoje  dia de palanque! Voc e seus colegas vo organizar um debate
sobre a reportagem As meninas superpoderosas. D sua opinio: o
que voc acha da presena de meninas nos esportes radicais?
<R->

<251>
<p>
Divertimento

  O Cebolinha resolveu atravessar o mundo em um dia s?

<R+>
_`[{histria em quadrinhos. 
  Cebolinha, correndo, chega ao mar, nada, nada, nada...; alcana uma praia com palmeiras; atravessa o deserto, passando por pirmides e por um beduno num camelo;
percorre uma terra com montanhas de picos nevados e pagodes, onde uma mulher vestida com quimono, segura uma sombrinha e um leque;
cruza uma regio gelada, passando por um esquim em frente a seu iglu. Ao voltar, diz muito irritado: "Tudo bem... Voc me pediu pra ensinar voc a jogar futebol e eu t ensinando..." E,
entregando a bola para 
  Mnica, conclui: "... Mas da 
<p>
  plxima vez voc vai buscar a bola, t?"_`]

Mauricio de Sousa. Cebolinha. Globinho. *O Globo*, Rio de Janeiro, 18 abr. 2004.

 1. Converse com um colega:
 a) Por quais locais do mundo o Cebolinha passou?
 b) O clima foi se transformando de acordo com a regio que
Cebolinha visitava? Justifique.
 c) Voc acha possvel acontecer o que  descrito na histria?
 d) Onde est a graa da histria?
<R->

<252>
Roda de leitura

  Leia, agora, textos didticos de Cincias e de Geografia que tm algo
em comum: falam sobre transformao.

  *Texto didtico*  aquele que  prprio para instruir, ensinar.

  Mas como se l um texto didtico?
  Siga as orientaes:
 a) Que palavras so prprias da disciplina em questo? O que
elas significam?
 b) Quais so as idias principais de cada texto?
 c) Como os textos se organizam: pela definio, pela comparao,
pela generalizao, pelo levantamento de um problema, pela
apresentao de um fato/causa e conseqncia?
 d) Que elementos esto encadeando as partes dos textos? Que
expectativa de sentido esses elementos criam para que se
possa entender bem o texto?

O esgotamento dos recursos 
  naturais

  (...)  medida que as populaes cresciam e se organizavam, as
suas necessidades se transformavam e exigiam a explorao de maior
variedade e quantidade de recursos naturais. Assim, aprenderam a
modelar a argila para fazer potes e tijolos e a confeccionar cestos e
vestimentas com fibras vegetais. Mais tarde descobriram como usar
os metais para substituir os instrumentos, utenslios e objetos de
pedra, madeira e argila.
  De descoberta em descoberta, de inveno em inveno,
utilizando os recursos naturais, as populaes humanas, em vrios
pontos do globo, foram se expandindo, organizando-se e modificando
cada vez mais o seu ambiente.

<R+>
Dinorah Poletto Porto e Neide Simes de Mattos. *Cincias: nosso ambiente*. So Paulo: Scipione, 2004.
(5 srie)
<R->

<253>
A Terra: um planeta em
  transformao

  (...) Na Antigidade, diversos
povos, dentre eles os gregos e os
romanos, tinham uma forma
prpria de explicar a origem do
mundo e sua organizao.
Observavam na paisagem
vulces, oceanos, ventos,
montanhas, troves e terremotos,
por exemplo. Esses elementos da
natureza eram considerados seres
vivos e tornavam-se personagens
de histrias marcadas por
movimentos e transformaes,
por meio das quais o mundo era
explicado. De maneira diferente
procede a cincia, que explica os
mesmos elementos de outra
forma.
  Estudar aspectos do planeta
Terra, questionando sua origem,
constituio, forma, cor, tamanho
e movimentos, ajuda-nos a
compreender a relao do
homem com a 
natureza e os usos
que dela ele faz.

<R+>
Henrique Delboni e Paulo 
  Storace Rota. *Geografia
  paratodos*: a Terra como 
  morada. So Paulo:
Scipione, 2003. (5 srie).
<R->

<254>
<p>
Agora voc escreve

  Depois das discusses feitas na Roda de Leitura, voc e seus colegas
vo se dividir em dois grupos, e cada grupo resumir um dos textos da
seo anterior. Voc j sabe que o resumo apresenta as idias principais de
cada texto.

Avaliando o texto

  Cada grupo apresentar seu resumo e os colegas -- com o professor --
faro comentrios, destacando os seguintes pontos:
<R+>
 a) Foram enfocadas as idias principais?
 b) Foram esclarecidos conceitos especficos da disciplina em questo?
<R->

Texto do dia-a-dia

  No Brasil h um grande nmero de pessoas com mais de 15 anos que
no sabem ler. Veja um grfico que mostra como estava essa situao em
1991.

<R+>
_`[{descrio do grfico: crculo, com a maior parte em azul, representando o percentual de alfabetizados: 79,9%. A menor parte, em vermelho, representa o percentual de analfabetos: 20,1%_`]
<R->

<255>
  Veja, agora, um grfico mostrando como estava essa situao em 2000:

<R+>
_`[{descrio do grfico: crculo, com a maior parte em azul, representando o percentual de alfabetizados: 86,4%. A menor parte, em vermelho, representa o percentual de analfabetos: 13,6%_`]

Dados extrados do site do Programa Alfabetizao Solidria. ~,www.alfabetizacao.~
  org.br~,
Acesso: 28 out. 2004.
<p>
 1. Quais so as datas e as fontes dos dados apresentados?
 2. Que cores foram utilizadas? O que elas indicam?
 3. A que concluso voc chega sobre a alfabetizao no Brasil tendo
como base os anos em que as pesquisas foram realizadas?
<R->

<256>
Vamos ler 4

  Em 1904, o governo brasileiro tornou obrigatria a vacinao contra a
varola, doena responsvel por milhares de mortes somente nesse ano.A
populao da capital federal -- na poca, o Rio de Janeiro --, porm, se revoltou
contra a medida, por causa dos brutais mtodos de aplicao da vacina.
  Voc vai ler agora um trecho de um livro que conta a histria de uma
famlia carioca do final do sculo XX que brincou de Tnel do Tempo e
foi parar no Rio Antigo!

  Eles estavam entrando na parte rica da grande artria, apelido da
Rua do Ouvidor, a mais famosa do Brasil, onde tudo era discutido,
onde todos eram vistos. As pessoas se espremiam, era gente que no
acabava mais. Mesmo naqueles dias
tensos, todos estavam fazendo suas
comprinhas, passeando impecavelmente
vestidos, como se nada estivesse
acontecendo: os homens de casaca e de
chapu e as mulheres apertadas com
seus espartilhos, sufocando at a alma. O
calor era grande, mas aquela era a ltima
moda na Europa. No comeo, as crianas
riam dos homens de cartola, que
pareciam mgicos. E aqueles bigodes,
dando voltas e mais voltas, tambm eram
muito engraados. Mas, alm dos
cavalheiros chiques, na Rua do Ouvidor
tambm passava o burro sem rabo,
carroas puxadas por trabalhadores
humildes, alheios ao burburinho da rua.
  (...) Um senhor solitrio, que estava ao
lado deles, foi se aproximando e puxando
conversa:
  -- Esta rua  uma desgraa mesmo,
no  meu senhor?
  -- Oh, sim, sim,  verdade... -- falou seu
Marcos, sem jeito. (...)
<257>
  -- Tudo pela hora da morte! Aqui chucham-se os
tostes! Eu prefiro ir  rua dos Mataporcos do que a essa
Rua do Ouvidor, mas minha mulher e minhas filhas
no vivem sem isto aqui. Parece at um vcio! (...)
  --  verdade. Est tudo pela hora da morte. E
imagine com a abertura da Avenida Central?
  -- Qual Avenida Central, qual nada! Isso no fica
pronto nunca. Esse prefeito  um maluco! Est
quebrando a cidade toda para nada. E, agora, com
esse doutorzinho Oswaldo Cruz querendo vacinar
toda a cidade! Esse governo  um governo de
loucos! Vamos todos parar num hospcio, fia-te
em mim: isso tudo vai dar em baderna.
  -- , vai dar na Revolta da Vacina... (...)
  (...) de repente, um senhor alto, magro e
bigodudo (...) se levantou: (...)
  -- Senhoras e senhores, peo a todos um
minuto da ateno: eu queria manifestar a
minha indignao perante este estado de coisas,
essa humilhao que esto nos fazendo passar,
essa violao dos lares, essa arbitrariedade que  a vacinao obrigatria!
  Todos bateram palmas e apoiaram com veemncia as palavras do
tal cavalheiro, que continuou a falar animadamente contra a vacina:
  -- Senhores, esse prefeito parece que fugiu do hospcio e est botando
abaixo a nossa capital federal, e o senhor Rodrigues Alves no faz nada, e
pior, ainda manda esse Dr. Cruz sanear a cidade. Foi esse doutorzinho,
esse Dr. Cruz, que teve a pachorra de dizer que o mosquito -- o mosquito,
senhores, esse inseto indefeso --  o responsvel pela febre amarela. 
cmico ver uma tropa, como numa operao militar, matando
mosquitos pela cidade. E agora, pasmem os senhores: est atrs dos
ratos da cidade! Est comprando ratos! E  esse homem que quer vacinar
a populao  fora! Nossos lares so invadidos pelos funcionrios da
Sade Pblica, acompanhados de policiais, que desnudam nossas
mulheres e filhas e injetam em seus corpos um desconhecido lquido,
que pode at 
matar! Isso tem que acabar! Isso  um crime! Uma tirania!

<R+>
Luciana Sandroni. *Ludi na 
  Revolta da Vacina -- uma odissia no Rio Antigo*.
Rio de Janeiro: Salamandra, 1999.

<258>
Seguindo as pistas do texto

 1. H, no texto, palavras ou expresses comuns no incio do sculo XX.
  Copie-as e converse com seus colegas: o que elas significam?
 2. Foi esse doutorzinho, *esse* Dr. Cruz, que teve a pachorra de dizer
que o mosquito -- o mosquito, senhores, *esse* inseto indefeso --  o
responsvel pela febre amarela.
  Que sentido pode ser atribudo ao pronome *esse* no fragmento?
 3. A grande artria  a aorta, que irriga sangue do corao para todas as
outras partes do corpo. Com base nessa informao, explique por que
a rua do Ouvidor  chamada, no texto, de grande artria.

Discutindo as idias do texto

 1. Eles estavam entrando na parte rica da grande artria (), onde
tudo era discutido, onde todos eram vistos.
 a) Que idia expressa a forma verbal *era*?
 b) Pode-se entender que algumas personagens esto em um tempo que
no  o seu? Justifique sua resposta com trechos do primeiro
pargrafo.
 c) Mas, alm dos cavalheiros chiques, na Rua do Ouvidor tambm
passava o burro sem rabo, carroas puxadas por trabalhadores
humildes, alheios ao burburinho da rua.
  O termo *mas* introduz oposio. Que situaes do texto so opostas?
 2. Qual  a idia principal do texto?

 3. Em sua opinio:
 a)  possvel compreender o medo dos habitantes do Rio de Janeiro de
1904 com relao  vacina?
 b) Como as pessoas reagem, atualmente, diante de uma grande
transformao?
<R->

<259>
Agora voc escreve

  Escreva uma histria sobre a capacidade de transformao que todas
as pessoas tm. Sua personagem deve enfrentar um problema -- em casa,
na escola, com os amigos... --, para o qual haver duas solues: uma delas
no altera a vida em nada, mas a outra pode provocar grandes mudanas...
O que ela escolher?

Avaliando o texto

  Troque seu texto com um colega e avalie:
  -- H conflito na histria?
  -- Foi apresentada mais de uma soluo?
  -- As idias esto encadeadas?
  -- A concluso da histria  coerente com seu desenvolvimento?
  -- As palavras foram escritas de acordo com as normas ortogrficas?

<260>
Curiosidade

  Fazer uma pesquisa, ler notcias em tempo real, fazer transaes
bancrias ou compras no supermercado... e tudo isso pelo
computador! A tecnologia transformou o mundo.
  A entrevista que voc vai ler agora foi feita em 1992. Bill Gates,
considerado o homem mais rico do mundo  poca e acionista da
Microsoft, empresa de informtica, previu grandes transformaes para
a dcada que viria a seguir. Veja se ele acertou:

<R+>
 Veja: Como sero os computadores daqui a dez anos?
 Gates: O computador ter o tamanho que voc quiser. Poder ser
do tamanho de sua carteira ou de sua parede. A pessoa andar
com um computador do tamanho da carteira, dar os comandos
atravs de teclados, da escrita manual ou de palavras e as
informaes sero vistas em terminais planos, finos, pendurados
nas paredes. Nessas superfcies planas, substitutas daquilo que
hoje so os tubos dos terminais
e das televises, aparecero
dados, filmes, textos, arquivos, o
que voc quiser. Haver telas
desse tipo em todos os lugares.
As pessoas tero uma liberdade
de escolha desses
equipamentos. No vai existir
mais aquilo que hoje ns
chamamos de o meu
computador.
 Veja: O senhor no acha esse
cenrio um pouco carregado de
fico cientfica?
<261>
 Gates: De jeito nenhum.
Lembre-se bem de uma coisa:
ainda no havia estradas e as
fbricas estavam produzindo
carros. Os carros no pararam
de ser produzidos por falta de
estradas.  preciso levar em
conta que o computador  um
instrumento de comunicao.
Todos os equipamentos de
comunicao, dos aparelhos de
TV s emissoras, dos cabos aos
telefones, sero mudados pela
tecnologia do computador. Vo
mudar a maneira como a pessoa
recebe a informao e a maneira
como ela a transmite. Isso altera
desde o acesso s notcias e 
educao at a expresso
poltica. As pessoas podero
indicar se esto gostando ou no
de uma coisa sem precisar se
levantar do sof. Mudanas
desse tipo sero importantes
para o funcionamento da
democracia. (...)

_`[{foto 1: enorme computador, ocupando metros de rea_`]
  Legenda: ENIAC, o primeiro computador eletrnico (1946). 

_`[{foto 2: computador de dimenses mnimas_`]
  Legenda: Computador de mo (2004).

_`[{foto 3: descrita por sua legenda_`]
  Legenda: Antena da Empresa Brasileira de Telecomunicaes (Embratel) para recepo de 
<p>
  sinais de satlite, Tangu, RJ (2001).

*Veja*. Especial 35 anos. ed. 1821A. So Paulo:
Abril, set. 2003.
<R->

  Troque idias com os colegas:
quais so os pontos positivos e
os negativos das transformaes
tecnolgicas na vida das pessoas?

<262>
Uma atividade diferente

<R+>
 Tudo que se v no 
 Igual ao que a gente viu h um segundo
 Tudo muda o tempo todo no mundo

Lulu Santos. *Como uma onda*. ~,www.lulu-santos.letras.~
  terra.com.br~,.
Acesso: 12 nov. 2004.
<R->

  Voc est preparado para as transformaes que vm a?
  Organize, com seus colegas e o professor, algumas atividades de
reconhecimento:
<R+>
  faam uma visita a uma classe de 5 srie, de sua escola ou de outra
prxima;
  marquem uma entrevista com alunos da 5 srie, para tirar todas
suas dvidas;
  peam permisso para assistir a uma aula da 5 srie.
  convidem a orientadora de sua escola para falar sobre as diferenas
entre a 4 e a 5 srie: So as mesmas disciplinas? Os mesmos
professores?
<R->
  E no se esquea: pea para todos seus colegas escreverem uma
mensagem para voc. Depois, organize-as em um lbum ou em um
caderno, para recordar de sua turma...
  Boa sorte!

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra

